“Tá atrasado… Hoje essa porcaria de ônibus vem cheia, m*rda!”
“E esse ponto cada vez mais cheio… Inferno!”
“Lá vem ele, vou subir primeiro, não quero nem saber! Essa velhinha demora demais na catraca e…”
- Pode subir, senhora!
- Obrigada.
“Mas que b*sta! Odeio instinto cavalheiro… Tá vendo? Tá vendo? Por que a velhinha já não vem com a grana na mão??? Será possível!”
“Tá cheio de gente… Unf! E gente folgada ainda por cima, mas espera um pouco que já dou um jeitinho…”
- Com licença. Obrigado. | Senhora, com licença. Obrigado. | Senhor, posso?
“Pronto. Cheguei.”
“Ai que saco, me deixa botar os fones. Sem música eu mato um hoje.”
“Hei tia, recolhe esse cotovelo… E não sorria pra mim. Não tô bom hoje!”
*** sorriso amarelo para a mulher ***
“Get up offa that thing / And dance till you feel better…”
“James Brown é do c*ralho!”
“Get up offa tha… ai meu pé, p*rra! Mas que filho da p*ta! Vai ter volta…”
“Sono… Muito sono! Como eu odeio as segundas-feiras!”
“O que será que vai ter pra fazer quando eu chegar no trabalho? Ah! F*da-se, quando eu chegar vejo!”
- Quer que eu segure sua mochila?
- Ah… Obrigado!
“Se deixar cair minha marmita, te mato!”
- Tá cheio hoje, né?
- É…
“Era só o que faltava… Alguém simpatizou comigo logo hoje…”
- Mas daqui a pouco esvazia…
- É, mas se esse motorista saísse na hora, nada disso aconteceria!
- É…
“Puts! Se assustou comigo e deixou cair a mochila… C*ralho! A marmita deve ter virado uma coisa… Prestativa maldita! Não vem com sorrisinho… eu vi seu crime!”
- Desculpe…
- Não tem problema, tudo bem.
“Tudo bem… tudo bem… Sei. Por que minha boca nunca não me obedece?”
“Odeio esse mau-humor! Odeio odiar todo mundo! Odeio respirar! Odeio você! Odeio tudo! Odeio até aquela criança que tá ali dormindo e… Puts! Eu vou pro inferno… é certo.”
- Então, mas você não me parece bem… Quer conversar?”
“… mas não é possível! Agora ela acha que é minha amiga. Nem sabe meu nome e já quer que eu abra minha vida pra ela? Intrometida!”
- Não… Tudo bem, tudo bem.
- Certo então.
“Não pareço bem… não pareço bem… Tá bom… E ela com essa barriga mole e…”
- Porque se quiser falar algo, é sempre bom. Sabe como é… A gente fica guardando as coisas e chega uma hora que explode. Se quiser é só dizer…
“… não é possível! Não mesmo… Como ela sabe que eu…”
- Olha, vagou aqui… Pode sentar.
- Ah! Obrigado.
- Por nada… e se você estava com vergonha das outras pessoas, agora é a hora. Fala um pouco, vai lhe fazer bem…
- Ah… é… Não. Eu tô bem… Obrigado, viu?!
- Não por isso.
“Ela continua me olhando… Eu queria tanto falar e…”
***E desce a lágrima***
- É que minha namorada fez… E minhas contas venc… Meu trabalho vai me…
***15 minutos depois de muito choro soluçante***
- … então, meu filho, tem que fazer as coisas com mais calma, viu?
- Sim senhora, obrigado!
- Vai com Deus. Acho que esse ponto é o seu…
“Como essa mulher sabe qual é meu ponto? Cara… isso é muito estranho.”
- É esse mesmo… Obrigado de novo. Tchau.
***acenou com a mão e desceu do ônibus visivelmente alterado***
“Que senhora mais bacana…”
“P*ta que me pariu! Nem perguntei o nome dela… Puts! Bom, mas amanhã eu pergunto. Vou pegar sempre o ônibus desse horário. Tem tanta gente legal…”
Músico britânico soluça a cada dois segundos, todos os dias, há quinze meses. Chris Sands fará uma cirurgia que tentará reparar o problema que desconfia ser um refluxo de ácido estomacal. Os médicos farão exames para obter os níveis de acidez e tentar criar uma nova válvula que ligaria o estômago ao esôfago.
Que inferno, não!? Acredito que seja insuportável conviver com isso. E o cara ainda é músico e segundo vocalista de uma banda de rock. Será que é um bom grupo? Porque se não for, esse soluço pode ter sido praga de algum vizinho dos locais de ensaio da banda ou algo do tipo. E olha que praga boa! Apesar de isso parecer um devaneio, é fato existirem por aí umas senhoras que possuem não simples olhos gordos, e sim olhos com obesidade mórbida.
No entanto, quase todas as técnicas conhecidas foram utilizadas para cessar o soluço do rapaz. Eu disse quase, pois as simpatias das vovós ele não fez. Isso sim daria jeito no problema. Vou passar a receita de uma simpatia que é tiro e queda, não falha mesmo.
Tomar 10 copos d’água em seqüência. Logo depois disso, dar 7 pulinhos só com a perna direita, depois 3 voltas pro lado direito e mais 7 pulinhos, agora com a perna esquerda. Prosseguindo, mais 3 voltas pro lado esquerdo e pra finalizar, mais 10 copos d’água.
Claro, se depois de 20 copos cheios de água, 14 pulos e 6 voltas, alguém ainda tiver soluço, pode entrar na faca porque deve ser a última esperança realmente. Mas pelo menos, que a simpatia vai colocar os rins pra funcionar, isso vai, além de proporcionar algum exercício.
Além de todo o incômodo, claro que sua carreira vem sendo prejudicada, só acontecendo quatro shows de sua banda depois que surgiu o problema. Isso tudo tem lhe feito depositar todas as fichas na cirurgia que realizará, apesar de que já houve um paciente com o mesmo problema, e a operação não ajudou.
Todavia, se não der certo já existe uma motivação que o fará tirar algum proveito do soluço. Explico: A crise mais longa de soluços registrada pelo Guinness, o livro dos recordes, foi a do americano Charles Osborne que soluçou durante 68 anos. Força Chris, você chega lá!
Existem certas palavras que são uma válvula de escape quando nos falta a palavra correta.
No regionalismo tupiniquim podemos encontrar diferentes formas de expressões vez em quando até ininteligíveis para as pessoas que não são daquele lugar e que não usam aquela espécie de linguajar. Contudo, tem uma palavra que dificilmente é desconhecida ou mesmo não é utilizada, trata-se do grande coringa da língua portuguesa falada aqui no Brasil, a palavra “coisa”.
Temeu, hesitou, pensou, é só colocar a “coisa” em seu devido lugar. Pronto. Você é entendido e acabam-se os problemas.
“Quero comprar uma coisa daquela ali, ó”.
Pronto. Você terá seu “desamassador de papéis” em mãos sem mais delongas.
A “coisa” se tornou tão popular que começou a ter várias derivações, alterando a palavra em diversas formas. Originalmente você não encontra “coisa”, como um substantivo masculino, o também conhecido “coiso”. Essa derivação pode até ser usada ao se referir a alguém de quem não se lembra o nome, às vezes no diminutivo.
“Sabe aquele menino? Aquele… Puts, não lembro o nome dele… o coisinho, sabe?”
Pode até não se descobrir de quem se está falando no diálogo, porém, o assunto não continuará empacado, afinal, o “coisinho” já está devidamente nomeado.
Usa-se essa palavra para expressar também a indiferença quanto a uma opção como em “Compre uma coisa qualquer pra comermos…”, ou também pra definir algo como muito pequeno, por exemplo “… uma coisiquinha de nada…”. Há também, após a exploração dessa palavra, a criação de um verbo. Pois sim! Estamos falando do verbo “coisar”, que pode ser conjugado em todos os tempos e modos da língua portuguesa.
No Presente do Indicativo ficaria assim: “Eu coiso / Tu coisas / Ele coisa / Nós coisamos / Vós coisais / Eles coisam”.
E no Futuro do Presente? Vamos ver: “Eu coisarei / Tu coisarás / Ele coisará / Nós coisaremos / Vós coisareis / Eles coisarão”.
Quase bíblico esse tempo verbal. “E o Senhor desceu dos céus e disse: - Tu coisarás suas terras com bom adubo e boas sementes…”.
Ainda podemos encontrar formas nominais como o gerúndio “coisando”, que pode ser aplicado no melhor estilo call center.
“Senhor, vou estar coisando os seus dados e…”.
Sem falar no sentido sexual do verbo, que é muito usado e conhecido. “Eles estavam coisando”. “Quero coisar com aquela mulher”. E assim por diante.
Podemos encontrar em muitas frases a palavra “coisa” usada como adjetivo. E nesse caso em especial, a palavra depende muito do contexto da frase para que se possa distinguir se o adjetivo, mesmo sendo a mesma palavra, é usado no sentido bom ou ruim. Se é um elogio ou crítica. Vejam os exemplos e constatem.
“… esse João é uma coisa!”.
Nesse caso, é imprescindível o restante do texto para que seja entendido o que se quis dizer sobre João. Se tivermos “Ele fez um trabalho perfeito… esse João é uma coisa!”, percebemos claramente que “coisa” é um elogio de suprema grandeza. Agora, se tivermos “Chegou bêbado de novo. Tava engatinhando fedendo a gambá… esse João é uma coisa!”. Aí o negócio muda. Nosso querido João, devido ao contexto, passou de trabalhador qualificado e perito a um bêbado rastejante, e a palavra “coisa” definiu ambas as situações facilmente.
Acredito que deveria haver um estudo aprofundado sobre a palavra “coisa”. Que se abram portas na língua portuguesa para que assim se formalize de vez todos os verdadeiros sentidos da palavra em questão, fazendo uma justiça. No dicionário ainda encontramos apenas esse significado:
Coisa | s.f.
do Lat. causa
s. f.,
qualquer objeto inanimado;
o que existe ou pode existir;
ente;
caso;
acontecimento;
negócio;
fato;
assunto;
matéria;
ato;
causa;
motivo;
mistério;
espécie;
bens;
propriedades.
Muito pouco pra magnitude dessa palavra que salva tantos diálogos e entendimentos. Um trunfo da comunicação coloquial…
Na Inglaterra, uma das maiores preocupações com uma guerra nuclear seria a escassez de chá. Pois é, torcida brasileira, não ter chá é incomparável com os outros problemas que poderiam eventualmente certamente ocorrer. Quais? Radiação, por exemplo. Sabem? Aquela coisa que dá câncer e matou milhares de japoneses em Hiroshima e Nagasaki após a 2ª Guerra Mundial.
Isso foi escrito em documentos secretos por volta dos anos de 54 a 56, mas somente revelado ao público britânico há pouco.
Documentos secretos sobre chá? Caramba! Nunca tinha notado essa paixão inglesa para com a bebida quente. No documento ainda consta previsões “alarmantes” com relação à falta do ingrediente vital para a vida inglesa. Por exemplo, apenas 28 gramas de chá por semana para cada pessoa seriam a média. Absurdo! Não dá pra viver assim.
É… eles realmente devem gostar muito de chá. Pra criarem um documento secreto contendo um estudo sobre, é realmente algo que faz pensar. E alguns devem estar confusos nesse momento pensando em o quanto isso pode ser, por que não dizer, “fútil”. Mas eu vou em defesa dos ingleses. Tudo é relativo, e é só pensarmos um pouco pra constatarmos isso. Nada é absoluto. Portanto, temos que respeitar a necessidade das pessoas inglesas que se houvesse acontecido uma explosão nuclear, ficariam com câncer, morrendo, doentes e sem chá. Ninguém merece viver assim.
E outra. E se fosse conosco? Tá bom, vai… O chá que se f*da! Mas se fosse a diminuição do estoque e produção do café? Heim? Sei de gente que iria ficar perdidinha sem beber um “pretim”. E se fosse então com a cerveja? E se o povo brasileiro, em pleno verão escaldante, tivesse que se privar de tomar uma estupidamente gelada? Mau isso, né?
Pois então deixemos os ingleses em paz. Afinal, quanto mais eles se preocuparem com o chá durante a história, mais sobra cerveja para nós nos preocuparmos (Ah é! O café também). Sobre os problemas que uma guerra nuclear ocasionaria às nossas saúdes? Bom, se alguém jogar uma bomba dessas, nós teremos algo a fazer? Não. Então, salvem a cerveja! (e os ingleses que fiquem com todo o chá pra eles).
Então… Não fui “convocado” pra esse meme. Porém, percebi o dT linkado num blog que eu não conhecia e fui ver porque, claro. Era o Uma Malla Pelo Mundo escrito pela Lúcia, que disse ter conhecido o Documento Tupiniquim recentemente e gostou… Lúcia, considere-se muito bem vinda sempre, e receba as boas vindas de sempre daqui do dT, regada a tubaína e bolovo. Continuando, li atentamente o meme e depois o blog. Muito bom e recomendo, senhores leitores tupiniquins.
Depois, minha amiga do Gaveta de Criado-Mudo, a Sy, também citou o dT como uma de suas leituras, e eu, dessa forma não tive como resistir à tentação. Vamos “memar”!
A brincadeira é chamada “mementrevista”. Ela consiste em simplesmente responder as perguntas especificadas e ponto final. E como tanto a Lucia, quanto a Sy deixaram em aberto pra quem quisesse participar, eu aceitei e vou responder. Bora…
1. Por que resolveu criar o blog?
O Documento Tupiniquim surgiu de uma grande paixão de seu criador, a escrita. Adoro escrever como poucas coisas na vida, e vi no blog uma maneira de poder expressar isso para um público maior do que família e amigos.
2. O que te dá mais prazer em blogar?
Os resultados. Os acessos ao texto. Os comentários. Blogar foi uma atividade que conheci, aprendi e me viciei desde o início.
Encaro também como um disciplinador. Ao menos uma postagem por dia é feita no dT (há exceções sim), e isso me movimenta profissionalmente.
3. Indique um blog bom e um que você não gosta e por quê.
Na realidade, eu poderia citar outros vários por aqui. Citar blog é difícil, pois às vezes dá a impressão de injustiçar tantos outros com quem me comunico com freqüência e leio com a mesma. Porém, os blogueiros leitores do dT sabem bem que procuro distribuir em meus memes ao menos citações, portanto, aguardem.
Os blogs que não gostei até hoje, nem decorei o nome.
4. Qual tipo de música você ouve, e quais suas bandas favoritas?
Música… Gosto muito de música. Até das mais toscas pois aprendi a tirar bom proveito do efeito cômico que me causam. Porém, vamos citar aqui o que acho bom. Bossa-nova, MPB, Jazz, Blues, Samba (do bom, e eu sei bem discernir), enfim, tem mais coisa, mas os preferidos são esses.
Sobre artistas preferidos (ou bandas), vou tentar alguns aqui. João Gilberto, Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque, Gilberto Gil, Marisa Monte, Maria Rita, Miles Davis, John Coltrane, Ella Fitzgerald, BB King, Steve Ray Vaughan, Albert Collins, entre muitos e muitos outros.
5. Qual o assunto que você mais gosta de postar?
Isso é muito diverso. Não escolho um assunto em especial, apesar de sempre estar “gritando” contra nossos representantes políticos, não falo só disso. Eu posto sempre da seguinte forma; assuntos que me revoltam, que me fazem querer divulgar minha opinião e criar pensamentos nos leitores, iguais ou não aos meus; ou assuntos de onde posso tirar alguma situação bem humorada, não importam de fato sobre o que é, mas sim o resultado. Nesses eu geralmente crio um texto a respeito do cotidiano das pessoas, sabem? Fazer graça sobre algo que geralmente não tem.
Documento Tupiniquim. Bom, adoro tudo que venha do Brasil. Apesar das opiniões americanizadas que ouvimos diariamente, não tenho a mínima vergonha de ser brasileiro, muito pelo contrário, tenho é orgulho demais. Teria de fato vergonha se não escrevesse nenhuma palavra a respeito do que se passa com nosso país, e infelizmente quase só escrevo coisas ruins, mas não sou um crítico que adora fazer isso por esporte, só o faço para alertar e tentar, mesmo que sem a força necessária, dizer ao povo tupiniquim que temos que usar nossas ferramentas para o bem geral, pra um país melhor, e não nos sentarmos à frente da tevê, ver o Jornal Nacional xingando o presidente, pois de nada adiantará. Minha arma é a escrita, qual é a sua?
É isso, se pra bom entendedor, pingo é letra, então acho que deu pra entender (ops!). Esse é um espaço que quer um Brasil melhor. Esse é um espaço que não está juntando dinheiro pra correr pra Europa ou EUA assim que der (não que eu não vá um dia). Esse é sim um espaço que acredita no Brasil e no brasileiro. Um documento eletrônico em prol do povo tupiniquim.
Porque fazia um bom tempo que não participava de um meme, pois então achei bacana o lance das perguntas bem estilo caderninho de ginasiais (ainda se usa esse termo?).
—
Então, vou seguir o mesmo jogo da Lúcia e da Sy. Quem estiver afim, linkado ou não, considere-se convidado, e depois me diga que participou para que eu coloque seu link aqui. Certo, macacada? Aquele abraço do Pandão.
A Caça ao Encoxador Misterioso - Capítulo 6 (Links para os capítulos anteriores ao final do texto. Acompanhem!)
- Ah Dog! Tô cansado de ficar só analisando, estudando…
- Ruf!
- Eu sei, meu amigo. Vou estar fazendo alguma coisa…
- Ruf…
- Ainda não sei como, mas não podemos estar deixando as jovens e belas moças à mercê de um bandido como esse. Afinal, são tão belas que merecem estar sendo tratadas como rainhas.
- Ruf, ruf…
Dog saiu da sala com ar de reprovação só parando pra se coçar enquanto Zé Gerúndio pensava em agir, mas seu grande dilema era: Por onde diabos começar? A maior linha de ataque se concentrava na zona sul daquela gigantesca metrópole; contudo, ainda eram muito equilibrados os números. O Encoxador Misterioso não era um homem que encoxava a caminho do trabalho, escola ou faculdade… era profissional e, na verdade, o meliante tinha suas táticas friamente traçadas para andar por toda a cidade sem ser percebido. Zé pensava e não queria mais ficar no QG. Zé enfim resolvera agir, e aquela era a hora! Enquanto se preparava pra sair, ligou o radinho de pilha e…
“A greve no metrô está prejudicando o trânsito de toda a cidade. Milhares de pessoas nos pontos de ônibus aguardam pra entrar nos coletivos extremamente lotados!”
Os joelhos de Zé estremeceram enquanto ele procurava um calção que não fosse muito largo.
- Greve de metrô? O maldito vai estar atacando!
Zé tinha razão em se preocupar. Hoje haveria um ataque com toda a certeza. Tudo estava muito fácil pro criminoso… Muito fácil!
Em uma mescla de euforia e preocupação, Zé Gerúndio se deparou com a possibilidade de agarrar o vilão e deixar as belas senhoras e senhoritas livres desse mal urbano. Com isso, saiu em disparada. A tira do chinelo escapou, mas dessa vez isso não o impediu de continuar, pois mesmo com seu andar coxo e a debilitação de seu calçado, pegou-o em suas mãos e continuou a correr.
Chegando ao ponto de ônibus, Zé ainda tinha que escolher em qual das linhas subir. Sabia ele que quanto mais cheio, melhor para o Encoxador. Sendo assim, lembrou-se da linha que tem como destino a Praça Hélio Mourão. Aquele ônibus sim faz uma pessoa deixar de gostar da vida. Era demorado, dava muitas voltas da origem até o destino e estava sempre extremamente lotado… em dia de greve então, nem se fala. Tudo muito perfeito para um ataque.
Zé esperou por quarenta e cinco minutos. O ônibus chegou e ele subiu com muita dificuldade, se apertando por entre as pessoas. Ambiente perfeito para o criminoso.
- A senhora poderia estar dando licença? Obrigado. / Pois não senhor, pode estar passando sim… Não por isso.
Zé sempre procurando ser educado com todos, se via num ambiente muito apertado! Contatos inevitáveis com muitos.
Era preciso encontrar um ponto estratégico de onde seria possível avistar o coletivo todo. Montar guarda mesmo. Esperar por qualquer pessoa, não importando seus trajes, feições ou seja lá o que for. Poderia ser qualquer um, contudo, Zé tinha a impressão de que não se tratava de um homem grosseiro, intuindo ser uma pessoa muito mais refinada do que sua própria especialidade criminosa. Em todo caso…
Posicionou-se próximo à catraca, ao lado direito. O lugar era ruim demais. Zé tinha que olhar freneticamente de um lado a outro, e assim acabaria chamando a atenção se tivesse tirado a sorte grande e o Encoxador estivesse ali também. Na verdade, paramentado de calção, camiseta de propaganda política das eleições de 10 anos atrás e chinelos havaianas avariados, ele já chamava a atenção o suficiente.
Muitas possíveis vítimas. Havia ali um grande leque para o Encoxador. Zé, por ser levemente estrábico tinha uma vantagem boa por ninguém nunca saber para onde ele estava olhando de fato, e claro, com a astúcia que lhe é peculiar, observou cada uma das damas presentes.
“Olha aquela jovenzinha com a tatuagem estratégica… Linda!”
“Meu Deus! Óculos e nariz pequenino. Cintura fininha e cabelos longos. Jeito de intelectual. Adoro.”
“Ai… Adoraria salvar aquela segurando as pastas… Tão chique ela…”
“Olha a ruivinha, sempre adorei ruivinhas… Ufa! Essa sentou. Está livre.”
Depois da análise, Zé olhou pra trás e viu a vítima em potencial que mais se encaixava. Lembrou-se então das semelhanças entre ele e o criminoso para o gosto com relação às mulheres que havia identificado outrora, e assim pensou:
“Se eu estivesse querendo uma mulher desse ônibus, seria aquela”.
Morena de branco e tudo bem justinho? Tratava-se sim de uma boa opção. Então Zé foi buscar nova posição para que assim pudesse priorizar essa dama em sua guarda oculta. Tentou sair na mesma hora, mas não conseguiu. Suas havaianas realmente nunca lhe deram tantos problemas num único dia. Olhou pra baixo e viu que alguém estava a pisar no chinelo. Olhou para o homem que pisava em seu calçado sem perceber o que fazia e disse:
- O senhor poderia estar tirando…
O homem olhou, mas não deu muita atenção, sendo assim repetiu com um pouco mais de volume.
- O senhor poderia estar tirando…
- Estar tirando o que, senhor?
- Estar tirando o pé de minha havaiana!
- Oh! Perdão!
- Obrigado.
E se dirigiu até o fundo do ônibus no intuito de observar a bela senhorita que estava no meio do caminho.
Batata! Nem um minuto depois, um homem grande e forte, com cara de ser limitado intelectualmente chegou por trás dela com expressão de maníaco. Estaria mesmo encoxando? Não era possível que aquele troglodita conseguia sair ileso tantas vezes de suas ações criminosas. Não era possível! Nessa fração de segundo, Zé constatou. Estava mesmo abusando a garota. Mexia-se tal como Dog em suas empreitadas amorosas com as cadelinhas do bairro. Safado!
- Dessa vez não, fio duma égua!
A garota se defendeu com um belo tapa na cara do sujeito, e enquanto se dava inicio ao bate-boca, Zé pulou em cima do brutamonte com violência. Joelhadas nas genitálias era seu principal alvo.
- Toma! Seu safado!
E a mulherada do ônibus comentava em frenesi: “É ele?” “É o Zé?” “Lindo!”. Contudo, Zé só se concentrava em imobilizar o criminoso e entregá-lo à polícia.
Na realidade, o que ele não havia percebido era o quão grande seu maior suspeito se tornara de perto, mas isso não seria problema devido a sua maestria e malandragem num confronto direto como esse. Seu adversário tentou virar o jogo e subiu em cima de Zé com impressionante rapidez.
- Não tenho medo de Jiu-Jitsu, cabra safado!
E enfiou os dedos nos olhos do grandalhão. Daí pra frente foi soco e pontapé no melhor estilo luta-livre… Há quem diga que nunca se viu um rolê mexicano tão bem aplicado.
O ônibus parou. Zé saiu do ônibus com o grandalhão totalmente tonto sem entender direito o que acontecera.
Na rua todos corriam para ver o que estava a acontecer. Zé tirou o suspeito do chão e começou uma pressão que faria até Sua Santidade confessar.
- Há quanto tempo você encoxa, filo duma??? Fala! Ou terei que estar continuando o que comecei lá dentro. Fala!!!
- Calma… Eu não…
- Eu não, o quê? Mentiroso desavergonhado!
Zé deu um safanão no suspeito e voltou a gritar possesso de fúria.
- Se você não confessar agora, vou estar ensinando pra você minha técnica do rolê mexicano! Abre a boca safado!
- Foi a primeira… eu juro! Juro pela minha mãezinha… Eu vi as reportagens. Vi as entrevistas. Vi o ataque àquela repórter… Fiquei com vontade… Mas juro que passou!
- Ahhh! Aquela repórter… Bonita ela né…
E em tempo:
- Cala essa boca!!!
E mais um safanão, só que parecia ser mais pela raiva e frustração, pois percebeu desde o inicio que não se tratava de um profissional. Esse homem não passaria tanto tempo sem ser pego.
Enfim, chegam polícia e imprensa. A tal repórter Juliana Maçã, vítima do Encoxador em rede nacional, estava presente com um interesse acima dos demais. Foi contida pelos policiais de forma brusca. Porém, conseguiu habilidosamente driblar o bloqueio e chegou perto com o microfone em riste.
- Zé Gerúndio! Zé Gerúndio! Por favor, dê um depoimento… É ele?
- Claro que posso estar falando.
- É ele Zé? Pegou o Encoxador?
- Infelizmente não, bela moça. Esse era um amador e admirador de meu… quer dizer, nosso alvo. Chamamos de “copiador”.
- Então pegou outro encoxador?
- Quer dizer “Ex-encoxador”, né? Porque depois da coça que lhe apliquei, ele vai estar querendo virar padre. Nenhum homem faltará com o respeito a uma linda jovem em minha frente. Se eu tivesse naquele ônibus quando ele atacou a senh… É senhorita?
- É… – respondeu Juliana visivelmente embaraçada mediante à mira do olhar sensualmente vesgo de Zé.
- Pois então. Ele jamais haveria lhe tocado se eu estivesse por perto.
- Eu sei… Corta Edmilson!
- Sem microfone posso estar falando melhor. Quer uma exclusiva sobre os detalhes? Assim podemos estar conversando com mais calma e longe desse tumulto. Toma cerveja?
- Mais ou menos… quer dizer… eu quero! É… Vamos sim!
E corada, segurou no braço de Zé Gerúndio caminhando pra longe da multidão que cercava o acontecido.
***
Na manhã seguinte no QG, Zé dava uma gororoba muito estranha à Dog enquanto preparava o café da manhã para a repórter Juliana que se encontrava na cama do herói mergulhada em sono profundo. Ao mesmo tempo, Zé fazia uma ligação que parecia ser muito importante:
- É da companhia de ônibus? Aqui é Zé Gerúndio. Sim, eu mesmo… Obrigado! Muito obrigado mesmo. Posso falar no “Achados e Perdidos”? É urgente. Ah, é aí mesmo? Ótimo! Perdi meu calçado. Isso. Isso. Chinelo. Azul claro e tinha um prego segurando a tira… Sim. Isso mesmo… Ok, vou estar aguardando…
Edward A. Murphy foi um engenheiro que participou de experiências e projetos para foguetes, ligadas à Força Aérea Americana no ano de 1949. Ele era tinha como linha de trabalho uma forma um tanto quanto defensiva, de forma que evitasse problemas ou mesmo catástrofes.
É minha gente, este homem foi Murphy! Aquele das leis sabem? E sua primeira lei que deu início a todas as outras carregadas de possibilidades de desgraças foi: “Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará”.
As leis de Murphy informam a quem interessa que tudo de ruim pode acontecer e o que vier é lucro a partir disto. Eu nunca vi uma foto dele, não sei se era loiro ou moreno, alto ou baixo, careca ou cabeludo, porém tenho certeza de uma coisa, ele era gordinho! E como era! Profundo conhecedor da sina, do destino obscuro e frio dos mais privilegiados na questão de peso, tinha perfeito conhecimento dos cuidados que devia ter para que sua vida não se tornasse uma constante rotina de eventos desagradáveis. Não dá para afirmar ao certo que ele era gordo de verdade, apesar de eu acreditar muito nisso, mas se o seu corpo não era, sua alma era, e muito! (Lembrem-se, o que importa pra ser dar mal é ter a alma gordinha, não só o corpo).
Repetindo a lei: Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará. Bom, se há uma casca de banana no chão em uma distância aproximada de 10 metros e caminham conversando dois amigos, um magrinho e um gordinho, eles estão falando, por exemplo, da rodada do fim-de-semana do Campeonato Brasileiro, caminham tranqüilos e de repente a casca já está em uma distância que o perigo é iminente, porém nenhum dos dois se deu conta. Se a casca se encontra bem ao meio dos dois, teoricamente as possibilidades são iguais para que um deles pise e se espatife, mas sabemos muito bem que não é assim. Pode ser que aconteça dessa forma: faltando um metro do contato o magrinho abaixa-se para amarrar o cadarço e o gordinho não se dá conta e continua, o tombo vai acontecer, porém a casca de banana, para se certificar, move-se quase que imperceptivelmente para a trajetória do caminhar de nosso amigo pesado, que pisa, que cai, que ouve seu amigo magrinho rir descontroladamente, que sabe que será motivo de piadas durante bom tempo. Também, como uma outra forma de acontecer um cômico acontecimento só que em diferente linhagem, eles caminham juntos e conversam. Muito atento, o gordinho avista a casca de banana. Muito prestativo, o gordinho vai lá pegá-la para que não haja nenhum tipo de acidente com ninguém. No momento em que se abaixa pra pegar a casca com toda dificuldade devido à sua barriga protuberante, sua calça já bastante apertada rasga de cima a baixo bem na costura traseira, e muito provavelmente havia bem atrás do dele um ponto de ônibus lotado ou algo do tipo que pudesse realizar a sina, afinal, não basta acontecer, todos têm que ver!
Meus amigos, não dá pra saber ao certo qual das duas situações é pior, mas dá pra perceber claramente que o Sr. Murphy não complementou sua primeira lei. Ela com certeza deveria ser assim:
“Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então UM GORDINHO a fará”.
O dT participou do Movimento Blog Voluntário realizado nesses dias 25, 26 e 27/04/08. Vi muita coisa bacana na blogosfera e com isso acredito que foi atingido o objetivo, que consistiu em colaborar com a inclusão digital das pessoas que por variados motivos têm grandes dificuldades para com a informática e internet. O Movimento acompanhou a idéia do Dia Global do Voluntariado Jovem, onde as pessoas se mobilizam pra melhorar o ambiente em geral.
No Orkut, Twitter e blogosfera, foi proposto que se fizesse uma campanha intensa para colaborar com a inclusão digital sem que houvesse de forma alguma apoio empresarial ou governamental. Boa intenção, boa idéia e boa execução unificadas utilizando-se da força da comunicação na blogosfera pra ajudar aqueles que têm dificuldade de participar desse mundo eletrônico que já não é mais futuro, é realidade nua e crua, e assim, sem querer deixar gente pra trás, mais de 400 blogs se uniram pra ajudar… simplesmente ajudar, e quanto artigo bom eu li e ainda lerei… quanta coisa boa aprendi e aprenderei.
Neste blog onde vos escrevo (!), foram postados dois artigos. Ambos com ambições de ajudar em assuntos onde pessoas têm dificuldades que podem parecer simples e excessivamente básicas, porém muitos as colocam como barreiras intransponíveis e definitivas. Contudo, se tais barreiras forem vencidas, podemos ter uma internet de mais qualidade contando com muitas pessoas que podem acrescentar bastante no conteúdo exibido. Aos que ainda não leram as postagens, lá vai:
Noutro dia estava eu a ler o Parem o Mundo, do Evandro. Trata-se se um blog que acompanho há um bom tempo pelos seus ótimos textos e que da mesma forma que o dT, são bem variados os assuntos.
Num desses posts, vi um vídeo muito do bom em que a Tracy Chapman cantava Talkin’ Bout A Revolution, e depois, como gosto de uma boa música, fui comentar a postagem e mandar um elogio quando vi nos outros comentários a respeito uma indicação sobre uma parceria em áudio e vídeo da Tracy cantando com o BB King. Claro… corri atrás como um admirador de um bom blues que sou. A música é “The Thrill Is Gone”, e acompanhem o vídeo a seguir curtindo o som. Não gosta de blues? Como assim?
Azarado nada. Não tomou o cuidado devido. Tem uma porção de medidas que podem ajudar a não cair nesse problema que faz às vezes com que se percam informações valiosas, ou se transmita inconscientemente dados que lhe prejudicarão em muito.
Vou tentar dar umas pequenas dicas aos usuários da web para que possam se precaver dessa dor de cabeça.
Primeira atitude a se tomar é ter um antivírus instalado no computador. Na própria internet você encontra com facilidade e para essa categoria grátis, as opiniões são divididas essencialmente entre dois. São eles o AVG e o Avast. Seguem os links para download.
Lembrando, se essas versões forem incompatíveis com sua máquina, nos mesmo sites você encontra versões mais antigas para download.
Depois de feito o download realizado e do programa instalado, é aconselhável que se faça uma verificação de possíveis vírus que já tenham infectado seu computador. O próprio software tem opções para limpeza e eliminação do arquivo que quer lhe phoder prejudicar.
Faça as verificações e mantenha sempre o software atualizado.
Porém, o antivírus nem sempre consegue barrar infecções. Então devemos tomar cuidados simples, mas primordiais para não termos dores de cabeça depois. Conserve pra ter depois, já diria minha avó.
A primeira medida sobre isso são os devidos cuidados com e-mails. Você tem um endereço eletrônico e recebe diariamente piadinhas bacanas, ou apresentações de slides, fotos e até de vez em quando um vídeo legal, enfim, uma porção de coisas que são divertidas e você quer muito ler ou ver. Tem também as mensagens que recebe e são importantes aparentemente, como um possível cancelamento de sua conta do Hotmail. Como pode ser? Ficar sem o Messenger e o bate-papo? Jamais! De repente, e não mais que de repente, você vê um e-mail como esse em sua caixa de entrada:
Mensagem Altomática??? Com “L”??? Matem o estagiário. Enfim, abrir a mensagem não faz mal algum, apesar de que só pelo assunto já poderia ser deletada. Eu, curioso que sou, abri a mensagem e reparem em alguns apontamentos feitos.
Reparem que o endereço é do provedor Terra, e estavam nesse caso ameaçando encerrar minha conta Hotmail. Estraaanho… Outra: Olhem o desespero para que se execute o danado do arquivo em link. “Clique no link e execute o arquivo”. Calma, calma amiguinho. Não é bem assim. Você não vai entrando e executando as coisas assim em meus domínios.
Bom, recebi essa mensagem bizarra há algum tempo. Até bloguei aqui no dT por achar ser essa a tentativa de infecção mais ridícula de toda a história da web. Apelidei-o de Asno-vírus.
Esse deu um mole enorme. Percebi na hora. Agora, nem todos são tão débeis assim, portanto, fiquem espertos e não abram arquivos com extensões .exe, .scr, .bat, .com, .pif e assim por diante. Esses não são todos, são apenas os mais suspeitos, portanto, só abram na certeza absoluta de que a fonte é confiável. Porém, se a fonte não for confiável, não abram nenhum tipo de arquivo que no e-mail estiver contido. Pronto. Melhor precaver e não cair na tentação quase irresistível de ver as fotos da Dercy Gonçalves num ensaio sensual, certo rapazes?
São essas algumas medidas bem básicas para se evitar problemas. Façam sem pestanejar, pois evitarão problemas sérios como ter possíveis perdas de arquivos importantes ou não. Pior que isso é que existem vírus mais sofisticados que instalam programinhas bem ocultos em suas máquinas. Eles podem até fornecer todas as suas senhas para o maldito que te enviou esse vírus, que por sua vez acabará por phoder desgraçar sua vida. Cuidado sempre. Muito cuidado!
Caros, prezados, excelentíssimos senhores leitores:
(*1) - Por meio deste instrumento, o autor (ou seja, eu), o convida para apreciar por forma de leitura os textos que são publicados regularmente nesta página eletrônica;
(*2) - Faz-se necessário esclarecer que o comentário é deveras importante, devido a procura de melhoras do autor, assim como de novos temas a serem expostos;
(*3) - Agradecemos a preferência, voltem sempre. (nossa! escritas de saco de pão? tal como, "servimos bem pra servir sempre"? assim não dá... pô!)
Sem mais, deixo minhas cordiais saudações. Fernando Cury.