O Onipresente BBB

Eu não gosto de nada ali. Nem da mulherada seminua…

Mulherada seminua você vê em muitos outros lugares onde é o real propósito ver mulheres seminuas, ou quem sabe até totalmente nuas. Nada disso me importa. Uma “semi-nudez” não paga a enorme porcaria que esse programa é. Nada passa de mais um derretedor de cérebro. O BBB não é melhor que o Faustão, Gugu e a Hebe. O BBB também não é pior.

Apesar dessa minha opinião radical, não condeno quem o assista. Cada um na sua. Não é meu cérebro que vai aos poucos virando coriza e saindo pelo nariz. E é exatamente sobre isso que eu quero falar aqui.

Apesar de eu, se precisar, desligar a tevê quando essa porcaria começa, não estou livre de saber o que acontece nesse programa. Eu convivo com pessoas todos os dias. Minha família, colegas no trabalho, pessoas no ônibus e assim vai. Acesso constantemente redes sociais onde existem outras pessoas de meu convívio, mesmo que virtual. Resumindo, não sou um ermitão isolado da sociedade numa montanha qualquer do planeta.

Sendo assim e apesar de toda minha indignação, essa porcaria dá cada vez mais certo. Estamos na décima edição, afinal. E quando está no ar o reality show, todos assistem e todos falam sobre ele. Entro no ônibus, o que já não é uma experiência muito agradável. Pra piorar, acaba a bateria do meu MP3 player. Estou indefeso agora. Posso ouvir a tudo e a todos. Malditos sentidos que não podem ser desligados quando queremos. Eis que começa a conversa ao meu lado:

- Você viu a Gi? Que vaca, né?

- Nooooossa! Se eu estivesse lá “na casa”, partiria pra ignorância.

E pronto. Mesmo sem querer, estou sabendo das últimas do BBB. Depois de ouvir sobre o assunto em boa parte do percurso, chego ao trabalho e sou abordado:

- Nossa. Por que você tá com essa cara feia? Tava torcendo pro Jorginho ontem?

- Eu? Quem é Jorginho?

- O do BBB, ué? Ele foi eliminado… Em que bolha você se isola?

Esse só recebeu um grunhido e pronto. O problema é que com as pessoas do trabalho, eu convivo o dia todo. Terei um dia difícil, certamente. Depois lá estou eu conferindo as atualizações em meu Twitter pra saber qual é o papo da vez. Ingênuo. Pobre coitado. O assunto é BBB, claro. Ainda mais com uma pessoa lá dentro do programa que é uma usuária assídua dessa rede. Meu Deus! Agora estou cercado.

E sendo assim, passo dia todo ouvindo ou lendo um comentário aqui, outro acolá sobre isso. Não preciso assistir a porcaria do BBB. Eu sei o que está acontecendo lá, mesmo não querendo. E isso me deixa extremamente p*to da vida. Poderíamos falar sobre a ameaça de censura que volta a nos assolar, por exemplo. Mas não. O BBB é onipresente. Está em todas as partes. Ele vai te pegar… Corra enquanto é tempo. Fuja da cidade, do estado, do país! Mas se antes sair a Playboy da Gi e você comprar, deixe-me eu dar uma folheada, ok?

Uma Dupla do Barulho!

Um trompetista sádico e um jegue fazendo um dueto memorável!

Não perda!!!

Via no blog do Cris Dias.

Depois da Tempestade, Vem a…

Os meteorologistas estão seriamente preocupados. Explico.

Desde que o ano virou ou até um pouco antes, temos a certeza do que virá do céu: Água.

Alguns pedem aos céus que cessem as tempestades. A fé move montanhas, é o que dizem. Porém a água também o faz, e mata gente. Água mole em pedra dura, tanto bate até que… se forme grandes deslizamentos. E a terra desce. E as casas sucumbem a terra. E se tiver gente dentro, temos então um desastre. E se tem desastre, tem imprensa. E se tem imprensa, todos ficamos apavorados, sensibilizados e vamos jantar.

Em apenas sete dias de 2010, ouvi tanto a frase “é a natureza se rebelando contra o homem”, que fico a pensar: que cara afinal tem a natureza? Se ela se rebela, tem uma cara também, é ou não é? Pois quem se rebela é gente, tem consciência, ou no mínimo, instinto.

A natureza não se rebela, pequeno gafanhoto. Os desastres ambientais que vimos na tevê são nada mais nada menos que matemática. Acompanhe comigo. 1 + 1 = 2, certo? Se mergulharmos na água, ficaremos molhados, né? Se bebermos um veneno fatal, morremos. Se poluirmos o ar, o planeta se aquece e começa a mudar o clima habitual. E se construirmos edificações em locais como a encosta de um morro, bem… não é tão óbvio assim, mas podemos nos dar bem mal.

A natureza não levantou de seu trono em meio a uma densa floresta e disse “Chega! Agora os homens me pagarão”. Não! Ela nem existe dessa forma. Ao dizermos que “a natureza se rebelou contra nós”, dizemos ocultamente que “eu jogo lixo na rua mesmo, só que agora tá tudo alagado por minha culpa”, mas a culpa nunca é nossa. É do governo. É da polícia. É do vizinho. É da natureza. Moleza! Errar é humano, mas por a culpa no outro é mais humano ainda, já diria o profeta.

E aí vêm a grande emissora de televisão e faz reportagens dramáticas no domingo à noite pra conseguir uns pontos de audiência a mais contra as concorrentes em ascensão. Tsc Tsc. Não precisa. É só ver a entrevista dos parentes das vítimas que basta para nos sensibilizarmos e no dia seguinte jogarmos lixo pela janela de nossos carros. Tudo é simples. É matemática.

E o que vai acontecer com tudo isso? Conosco não sei bem. É verdade que seria melhor termos mais consciência e mudarmos um pouco, mas… Agora, sobre o clima nós já sabemos bem, né? Amanhã vai chover pra cac… Vai chover como nunca. É quase certo e é melhor que chova mesmo, afinal, se não chover amanhã, acumula pra depois. É exatamente aí que entra o meteorologista e suas preocupações. No momento em que eles têm a sua vez no tele-jornal do horário nobre eu vou ao banheiro. Não preciso mais de suas previsões inexatas. Vai chover, pronto e acabou. Isso até que venha a seca de meses, mas isso é outra conversa…

Mãe Joana e as Previsões para 2010

- Isso. Queremos que a senhora vá até o programa e diga quais as previsões pra 2010.

- Eh Eh! Eu? Na TV?

- É Mãe Joana.

- Eita que coisa boa, mizinfia! Mas diz uma coisinha: Quanto de pataco vai entrá no bolso, mizinfia?

- Pataco?

- Isso. Dinheiro, bufunfa, dindim…

- Ah, Mãe Joana. Não poderemos disponibilizar cachê pra isso. Mas se lembre que a senhora vai aparecer na tevê, sabe? É ótimo pros negócios. E a senhora no fim da previsão pode deixar seu telefone e tudo.

- E o e-meio? E o brog?

- Tudinho.

- Então tamos combinada. Que tipo de previsão oceis vai querê? Vão carece de trabaio? De patuá? Tenho uns baratinho…

- Não precisa não, Mãe Joana. A senhora falará sobre futuro do país no ano de eleição, sobre a crise econômica e se ela está afastada mesmo, gripe suína, Copa do Mundo, mais futebol porque os homens gostam disso e capricha sobre o Ronaldo, Olimpíadas do Rio, depois a senhora pode até falar sobre o final da novela também, sabe? O que será que vai acontecer? O que acha?

- Eh Eh! Esse último é fácil, né mizinfia?! Política, economia, saúde e esporte. Bastante coisa, né?

- Só o básico, Mãe Joana. Não precisa assustar, afinal, em qualquer lugar todo mundo fala sobre isso, né?

- É. Mesmo assim, vou querer pelo menos levá uns patuá pra mostrá na TV, sabe? É muito trabaio pra eu falá, e vô te que pedi pro Cabocro Zezé ajudá, e ele num trabaia de grátis não.

- Tá bom, Mãe Joana. Pode levar os patuás e o Caboclo Zezé também. Temos um acordo?

- Temo sim, mizinfia. Suncê pode ficá tranquila.

- Jozicréééia! Vem aqui criatura!

- Oi mãezinha… Cheguei.

- Prepara uns patuá do Cabocro Zezé pra presente. Eu vô aparecê na TV e careço de uns bem bunito pra vendê lá.

- Olha que coisa boa, mãezinha! Eu posso ir também?

- Oxi! Craro que ocê vai. Na hora que eu tivé fazendo as gravação, ocê vai vendendo os patuá lá dentro pro povo. Arruma uma mesinha e coloca uns pano colorido enrolado na cabeça. O Cabocro Zezé tá carecendo de pataco…

- É… deve estar mesmo.

E em 2010…

Agora vamos listar algumas das receitas mais conhecidas pra melhorar o próximo ano (leia “melhorar” como conhecer sua alma gêmea, ter sucesso profissional, ficar rico e etc).

Podemos começar com peças mais íntimas como colocar fitinha colorida na calcinha (cada cor tem seu devido significado). Cueca verde pra trazer isso, amarela pra trazer aquilo, e preta… preta não. Nunca! Roupa branca (sempre). Um dinheirinho na cueca pra trazer sorte com grana (cuidado com a quantidade pois podem lhe confundir com um político, com a pequena diferença de que você será preso). Depois tem que comer lentilha, uma uva por badalada depois da meia-noite (se vire pra achar um relógio que dê badaladas), abrir champanhe na hora da virada, estar beijando qualquer boca no momento exato pra se arrumar com alguém no ano seguinte (nada a ver com a pessoa que está beijando), pular sete ondas e sair de costas pro mar, oferenda pra Iemanjá… E assim vai.

Quer saber? Se você for tentar fazer tudo isso e der certo, em 2010 você ficará rico de algum jeito misterioso, terá muito sucesso no trabalho, se casará com a Angelina Jolie, terá sete ou oito filhos com ela só nesse ano, terá paz e prosperidade, seus credores lhe esquecerão do nada e sua sogra chata ficará muda repentinamente.

Então. Acha mesmo que isso tudo dá certo? Quer dizer, na virada de um ano pra outro se você realizar certas mandingas conseguirá tudo aquilo que quer e ainda não alcançou? Se as coisas fossem tão fáceis assim a vida seria moleza, é ou não é?

Creio eu que se Deus existe mesmo, ele deve se divertir a rodo com esses pedidos todos. Pô! Por que fita na calcinha vai melhorar algum aspecto que lhe é falho? Ou pular sete ondas é um ato que vai lhe dar vantagem sobre alguém que faz um pedido aos céus sentado confortavelmente em seu apartamento? Deus deve se divertir mesmo. Aliás, se eu fosse o Divino, pra cada onda pulada eu dava sete anos de azar pro infeliz por puro sadismo. E pronto!

E que cara mais mau humorado e chato eu sou que fico me metendo nas crendices malucas dos outros, né? Pois é. Só que sorte, queridos amiguinhos, precisa de oportunidade pra bater em sua porta, ou seja, fique sentado esperando que a lentilha lhe trará algo a seu colo. Eu disse “sentado”. Eu em 2010 vou tentar melhorar dia após dia, exatamente como fiz em 2009. Dia 1º de janeiro de 2010 tentarei ao máximo ser um pouco melhor que em 31 de dezembro de 2009. É só uma data que vai acontecer, e o que eu fizer na passagem de um dia a outro não vai me ajudar nada se eu não pensar que preciso ser melhor comigo e com os outros.

2010 será melhor sim… só depende de você, e não da cor da sua cueca, ou se você conseguirá mastigar as malditas doze uvas que estão em sua boca após as primeiras badaladas do novo ano. O ano só muda porque seguimos um calendário. É só uma espécie de organização para não termos que dizer que amanhã será o dia 837650 d.C.

Porém, se quisermos festejar apenas por tradição, qualquer motivo para uma diversãozinha é válido… Mas se encher a cara, não xingue sua tia gorda arrumando com isso um belo barraco familiar e tradicional, ou mesmo dirija um carro, ok? Sabe cumé, né? Se não se matar ou matar alguém, tem também a multa que é salgada que dói.

Depois de show de mau humor e ceticismo, não vou desejar um feliz Ano-novo pra ninguém. Vou desejar um feliz dia 1º de janeiro, e depois um feliz dia 2 e assim vai…

Muppets – Bohemian Rhapsody

Todo mundo já viu no Youtube, ou não, os Muppets cantando Bohemian Rhapsody do Queen.

Os Muppets marcaram minha infância e a de outras gerações também (anteriores e posteriores). Divertimento garantido e bom humor pra criançada de qualquer idade… dos 0 aos 100 anos. E no YT podemos ver desse vídeo até Ode To Joy e Mahna Mahna. Vamos curtir enfim e chega de conversa mole.

Como esperar por uma Princesa

É difícil demais esperar, e sei de gente que ganhou muita coisa na vida por ter essa sabedoria. A sabedoria da calma, de saber aguardar os melhores momentos. Eu não. Nunca fui bom nisso. Comigo é: Eu quero e tem que ser agora!

Eu achei que seria esse um defeito pra poucos, mas é o contrário. Hoje em dia, para um paulistano como sou, isso é normal. É dificílimo esperar o ônibus e toda a calma provocante do motorista. E a fila do banco? Será que aquela caixa que está conversando não sabe que só tenho mais quinze minutos pra ir a mais três bancos?! Absurdo! Outra coisa que me irrita é esperar pela pizza num sábado a noite. Cada moto que passa na porta de casa me faz levantar e eleva meus batimentos (sim, sou um gordinho).

Esperar é realmente maçante. E aí a gente reclama, né? Sempre a culpa é de alguém ou alguma coisa… Porém, quando temos a convicção que uma demora é inevitável, temos que tentar nos conformar. Fazer o que?

Dia desses, mais especificamente falando da madrugada do dia 7 para o dia 8 de novembro de 2009, estava eu de plantão num hospital.

Não, não sou médico.

Estava aguardando notícias sobre duas parentes minhas bem próximas. Uma era minha irmã mais nova, a outra minha sobrinha.

Quais problemas elas tinham?

Bom, na verdade não se tratavam de problemas. Minha irmã estava grávida e minha sobrinha iria nascer… é isso.

É uma ida ao hospital bem diferente, afinal, geralmente nessa situação estamos preocupados com coisa como, virando minha boca pra lá, doenças e acidentes. Só que aí o clima é outro. A ala de maternidade é diferente. Tem muita gente feliz e chorando com o corpo grudado no vidro do berçário. E foi assim que eu me distraí esperando a grande luta de minha irmã pra trazer sua filhinha ao mundo.

A sala de espera era bem em frente ao berçário. Ali eu podia optar em ver os familiares babões ou o filme ruim da madrugada. Preferi ver os familiares. E claro que não resisti e fui também olhar os recém nascidos ali, frágeis e quase sempre dorminhocos. Você olha pra essas crianças que acabaram de chegar e pensa, meus amigos. Pensa muito. O tempo todo. Pensa até na existência do homem. E quer saber, sensibilizável leitor, é ali que está o segredo. É dali que, uma vez bem criados, sairá a geração que finalmente vai dizer a que veio. É dali que o mundo pode mudar pra melhor, e não somente “evoluir”. Enfim, é nas crianças que temos que acreditar, pois nós adultos não temos mais salvação.

Continuando… depois de horas e mais horas, eu estava cansado por demais ainda na mesma sala de espera, só que eu lembrava que minha irmã se encontrava lá dentro há muito tempo tentando colocar sua filhotinha no mundo e não me sentia no direito de sentir cansaço. A manhã se aproximava e nada de minha pequenina sobrinha ajudar os outros bebês a iluminar o mundo. Ansiedade. Muita!

Se eu fosse um sábio que soubesse bem como controlar a ansiedade e esperar tranquilo, pensaria e deduziria que ela iria nascer em breve, e era só esperar mais um pouco. E assim foi. Ela veio. Ela, linda e pequenina já está entre nós. Quer saber, risonho leitor. Bons momentos assim não passam nunca. Vi minha sobrinha e fiquei feliz demais. Fiquei sem palavras. E assim foi.

E por falar em como eu fiquei. Eu fiquei com medo, afinal, que mundo cheio de preconceito, corrupção, violência e maldades aguarda a minha sobrinha? E depois sosseguei, sabem? Afinal, nem ela, nem meu filho e nem os outros pimpolhos podem temer a nada. Eles serão nossos heróis, e nem saberão disso.

Pequena Maria Clara, seja bem vinda a esse mundo! Ele é seu. Domine-o e faça dele melhor pra todos. Peça ajuda quando precisar e colo quando quiser chorar, mas não se assuste com o mundo feio. Se seus olhos forem iluminados como é sua presença, você sempre o verá pelo melhor lado. O lado que tem jeito.

Bem vinda, pequena princesa!