August 28th, 2008 — Cotidiano, Crônica, Humor
- Alô?
- Alô. Sim, pois não?
- Eu quero falar com o Gumercindo… o Gumercindo taí???
- Olha rapá, o Gumercindo deu uma saída, volta só pela tarde. Aqui é Joel, irmão dele. Quem tá falando?
- Bom… se não é o Gumercindo, não vou falar quem sou…
- Mas quem é que tá falando, o que você quer?
- Tá bom vai… Quero uma pizza de calabresa e uma toscana? Tem toscana aí?
- E aqui tem pizza? Você tá de brincadeira comigo? Eu sou trabalhador e não tenho tempo pra essas coisas de trote, seu desocupado filoduma! Vem aqui que eu lhe parto a cara, seu abusado!
- Tsc! Mal educado… vou comprar na concorrência! Mesmo assim vou querer falar com o Gumercindo. Quero reclamar de você. Cadê ele?
- Você me respeite! Mas que safado, vejam só.
Ele tá é na sua casa com a sua mulher, seu veado.
- Ah! Então ele tá aqui…? Espera um pouquinho na linha. Vou lá falar com ele…
Um minuto depois…
- Hei! Tá querendo me enganar? Ele não tá aqui… Cadê o Gumercindo…?
- Já disse que saiu. O senhor faça-me o favor de ligar pela tarde. Agora me deixe trabalhar.
- Tá bom, eu deixo. Mas a pizza chega em quanto tempo? Aí tem aquelas promoções dos 28 minutos???
- Essa promoção é de esfiha, idiota! Ah, faça-me o favor…
- Ah! Entendi… Então quero dez de carne e cinco de queijo, por favor!
- Você é mesmo um saf…
- E uma coca também, por gentileza.
- Safado! Safado! O que você quer? Heim? O que você quer? Desavergonhado!!!
- Tsc. Nunca mais ligo aí. Vocês não sabem atender o cliente.
- Quer me enlouquecer? Quer? É isso? Safado…
- Sabe qual é o problema do mundo? Pessoas com mania de perseguição iguais a você… Vamos encerrar esse papo assim que você me chamar o Gumercindo.
tu tu tu tu… (finalmente)
August 26th, 2008 — Cotidiano, Crônica, Humor
Dor de cabeça, dia iniciando e ida ao trabalho.
Relativamente tudo muito normal. Quer dizer, dor de cabeça todo mundo tem, não é? Pois então.
Nessa trama quase sem variáveis possíveis, no máximo podemos tentar relaxar e não nos incomodar com o excesso de pessoas num ônibus, por exemplo. Apesar da falta de educação e folga que um ser humano é obrigado a suportar, até que dá pra seguir em frente, isso desde que a falta de educação não ultrapasse os limites do bom senso e sanidade geral da coletividade.
Ao menos aqui em São Paulo, temos que em algumas oportunidades que suportar a maldita popularização da tecnologia já ultrapassada de alto-falantes em celulares. Vamos de “Créu” até “Bruno e Marrone” sem piedade para com os ouvidos alheios. O bonitão chega lá, abre o flip de seu aparelho e toca seu mp3 no último volume em que aquela porcaria agüenta, e o pior, a música é sempre ruim! Mas gosto é gosto, e gosto ruim é gosto ruim. Ponto!
Para vocês que não andam de ônibus, isso existe sim. Podem acreditar. E sabem o que mais? Há dias em que existe uma competição entre dois celulares. Pois é. Dois mal educados, dois celulares e duas músicas ruins. O inferno na terra? Ainda não! Agora, outra tecnologia que vai ficando ultrapassada e ao mesmo tempo barateando é o aparelho de DVD portátil. Sim. Acho que já estão conseguindo imaginar o que vou escrever pra vocês, boquiabertos leitores. Existem alguns que aprimoram a falta de educação e levam esse aparelho para assistir seus shows ruins dentro de coletivo. Pois é. Mais potência. Mais notoriedade. Mais ódio!
Pensei eu: “um filoduma desses teria que ter um santo forte, uma dúzia de patuás, e muita mandinga da boa pra conseguir agüentar tanta energia ruim que recebe num momento como esse”. Mas não! Ele, como poderão perceber, não era muito adepto de religiões afro-brasileiras pra carregar patuás. O cara ouvia e via seu DVD de alguma coisa como “Mara Maravilha in concert”, em louvor ao Divinão. Pode? Não mesmo. Aliás, existem placas nos coletivos que dizem “Proibido o uso de aparelhos sonoros”, mas com certeza uma anta dessas não sabe ler, ou até consegue montar sílabas, contudo não entende o que essa montagem significa.
Desde o desejo de uma simples voadora nas costas dele, até a tortura seguida de decapitações e morte passaram certamente pela cabeça de todos ali, porém o cara tem um escudo para cargas negativas que lhe são enviadas. Ele sabe que todos ali o odeiam, mas mesmo assim ele segue em frente, firme e forte, acabando com o restante do dia de todos que estão a sua volta.
Podemos com isso concluir que o poder de um ser humano é algo incalculável, afinal, ele consegue deixar pelo menos umas 40 ou 50 pessoas de péssimo humor num período de 24 horas, o que pode causar demissões, brigas, separações de casais e afins. Um cara desses vai pro céu? Vai nada! Ele obrigou dezenas de outras pessoas a escutarem Mara Maravilha louvando. Quer ir pro céu depois dessa? Vai ter que plantar muita árvore e fazer muita caridade pra compensar…
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Responsável pela inspiração: Um lamento de Gabiroba em sua chegada ao trabalho…
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August 25th, 2008 — Blogosfera, Campanha Post Dado, Crônica, Humor, Mundo Animal
As pombas são talvez a espécie de ave urbana mais odiada. Talvez haja um descontrole no equilíbrio ambiental nesse caso. Elas acabam com tudo, inclusive com a paciência de quem tem o contato direto com elas. Não sei por que cargas d’água elas implicam com certos edifícios e dominam seus telhados emporcalhando tudo com penas, pulgas e fezes.
Dizem que o bicho transmite doenças e que é bom mantê-los afastados do contato direto com o homem. Enfim, a pombinha, que nas praças de antigamente eram alimentadas de bom grado pelas vovós e seus netinhos com farelo de milho e migalhas de pão, hoje são uma praga maldita.
Aproveitando: As pombas são pragas, ou são vítimas?
Depende do ponto de vista. Afinal, o bicho se adapta tão facilmente a tudo, desde locais, até alimentação, que encontra um verdadeiro paraíso no mundo urbano, procriando mais do que coelho. Pombas mil podem ser vistas em todos os bairros de uma metrópole como São Paulo e elas não têm muitos predadores eficientes que equilibrem a coisa toda. O bicho é tão ruim que não deve ter a carne boa. Isso é que é!
Vadiando pela internet num de meus sites favoritos, vi a grande descrição do Mundo Canibal, onde o título da animação que eles colocaram é “A pomba é um rato que avua”. E não é que eles têm razão! Se elas comem de tudo, se elas moram em qualquer lugar, se elas transmitem um monte de doenças, então elas têm muitas semelhanças com os roedores, mas com um agravante: não vivem somente no submundo do esgoto. Estão entre nós, as safadas.
Como eliminar a presença desse bicho? Essa é uma das questões que assola a humanidade desde o princípio dos tempos, ao lado de “Qual é o sentido da vida?”, “Nós estamos sós no universo?”, e se “Deus existe mesmo?”. Os ditos profissionais não vão lhe ajudar. Não adianta. Eles não sabem a resposta. Sendo assim, o melhor mesmo é não querer eliminar as pombas, e negócio mesmo é manter-se longe delas. Outra é declarar guerra! Porém, eu tenho a leve impressão que pra cada uma que derrubar, duas ou três novas surgirão, defecarão em sua propriedade e a encherão de penas e pulgas. Uma solução é cortar o mal pela raiz. Como? Ponha fogo em sua casa e reconstrua depois sem espaços para os ratos alados, pois com certeza haverá dezenas de pombinhas com cara de sonsas empoleiradas na fiação da rua só esperando você reconstruir seu lar e os delas também.
A vida é dura. E as pombas são uma forma de percebermos o quão limitado nós somos. Eles vencerão sempre. Lamento…
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Esse é o oitavo #postdado, sugerido pela Mafê que também é conhecida como Mellancia, via twitter (@mellancia). Ao que me lembro, ela estava com uma crise contra as pombinhas quando fez a sugestão, e ao reler o texto, percebi que não fui tão encorajador. Desculpe Mafê, mas o bicho é danado mesmo. Desejando força em sua batalha, me despeço… e que venha o nono post!
Abraços gerais.
August 24th, 2008 — Blogosfera, Campanha Post Dado, Crônica, Humor
Dizem por aí aqueles mais apegados às religiões Cristãs, que Jesus se manifesta das maneiras mais misteriosas possíveis. Pois bem. Isso incluí um salgadinho Cheetos em formato do próprio filhote do Divino pregado na cruz? Aí acho demais… Mas tudo bem. A fé remove montanhas e pelo visto também deixa a imaginação do ser humano mais fértil do que após a ingestão de boa quantidade de LSD.
Kelly Ramey foi a abençoada com o sinal dos céus. Ela enfiou a mão no saco (ui), para comer sua besteira diária quando sentiu algo em seu coração como uma presença sobrenatural. Quando tirou o punhado de salgadinhos de dentro, percebeu que não poderia devorá-los. Kelly então foi uma das poucas privilegiadas em todos os tempos a receber e perceber um sinal dos céus.
O que ela fez com o cheetos? Não sei. Mas eu o teria devorado sem peso na consciência. “Olha! Esse aqui parece uma cruz!”, e NHAC! Tem gente por aí que é tão apegada a esses comportamentos religiosos que prefere acreditar que o salgadinho causador de obesidade e entupimentos de artérias é sim um sinal lá de riba, e não que na hora em que a delícia estava em produção, grudou em outra e por fim foi parar em uma embalagem formando coincidentemente uma imagem semelhante à de Jesus na cruz.
Fazer o que? Cada um se apega no que quiser.
No entanto, suponhamos que aquilo fosse mesmo um sinal. Acho que o plano de marketing de guerrilha divino estaria um pouco mal feito, pois as chances de ser percebido seria demasiadamente pequenas, afinal, quem é que fica analisando as estruturas de cada salgadinho que abocanha? Não é igual a pessoas olhando os formatos das nuvens e despejando imaginação inútil, mas ainda assim imaginação. Convenhamos que é bem mais fácil olhar pro céu e ver uma nuvem com o formato do Lula, do que um Cheetos com o formato de Jesus. Portanto deixo aqui minha opinião sobre uma possível estratégia Divina para a divulgação em busca de mais seguidores: Nuvens! Partam para as nuvens. Afinal de contas, quem quer falar com Deus, olha para os céus crendo que ali é a casa do Divinão, e então ali verão o que desejarem passar nessa comunicação espiritual.
Se eu fosse o Divinão, partiria para uma reformulação de sua equipe publicitária com certeza.
Fonte: J-Walk Blog
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Mais um da campanha #postdado, dessa vez sugerido pelo Evandrão, do Parem o Mundo, via twitter (@evandrocesar). Ele, na qualidade de leitor preferencial do dT, sabe muito bem que adoro esse tipo de assunto. Valeu cara!
Até o próximo!
August 22nd, 2008 — Brasil, Cultura, Vídeos
August 20th, 2008 — Bizzarices, Cotidiano, Crônica, Cultura, Humor

- Bobagem! Isso é coisa de fresco…
Disse Valtão após um convite pra uma festa na casa de um amigo. Valtão é do tipo que não gosta de modernidades. “Que diabos é isso?”, disse ele após ouvir música eletrônica no carro de um amigo. “Se não desligar, eu desço!”. E descia mesmo. Pro Valtão, música mesmo não dá dinheiro, então não seria possível ouvir em rádios ou mesmo se encontrar a venda em lojas.
- Meu negócio é boteco, rapaz!
- Pô Valtão! Vai ser divertido…
- Boteco! Quer sair? Boteco do Miranda. É pra lá que eu vou.
- Aquele lugar fede, cara.
- Não interessa! Aqui tem calo no cotovelo de apoiar em balcão de bar. Calo no cotovelo!
E fez todos olharem pra ele e até colocarem a mão em seu cotovelo.
- Isso é nojento, Valtão! Deve ter resto de comida aí…
- Tremoço! Cerveja e tremoço.
- Ah vai… Me diga então que não curte uma batatinha frita.
- Tremoço! E só tremoço!
- Meu Senhor…
Valtão, quando saia do bar bêbado, ficava na rua de sua casa olhando o movimento. Não gostava dos carros passando com som alto e ruim. Muxoxava e desaprovava com a cabeça. Ficava ele e o guarda da rua, o Jorjão, falando sobre a integridade moral dos moradores da rua.
- Biscate! É isso que ela é, Jorjão.
- É…
- Já deu em cima de mim, mas não gosto de mulher assim…
- É. Eu sei.
- Aquele ali enche o carro de mulher todo dia, mas acho mesmo é que ele é veado!
- Se você tá falando…
- Pois é.
E ia pra casa dormir todo dia, no mesmo quarto de dez anos atrás, com um pôster de banda que nem ouve mais, com a coleção de carrinhos de brinquedo que nunca mais fora renovada, e com os mesmo lençóis lavados e esticados pela sua mãe.
Valtão preserva os costumes antigos. Diz ele que nasceu na época errada. É um cara feliz do jeito dele. Nunca sai. Valtão gosta mesmo é de boteco e tem calos nos cotovelos.
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August 19th, 2008 — Blogosfera, Campanha Post Dado, Crítica, Documento Tupiniquim
Agora vamos de terapia. Nada de crônicas ou contos. Nada de vídeos engraçados ou com músicas bacanas. Usarei o dT como terapia, afinal, ao menos pra mim, escrever é terapêutico, e como graças ao bom Divino tenho um blog, usarei ele pra abrir meus podres (só alguns e não muito comprometedores, claro…), e algumas possíveis qualidades. Como é terapia, pode parar de ler! Isso é invasão! Para agora! Não quer? Então tá… pois leia.
Farei de forma bem simples: Por itens. Bora…
> Bem humorado.
Em alguns momentos da vida, em outros, não digo que sou mal humorado, apenas gosto muito do silêncio e odeio pessoas felizes…
> Da paz sempre.
Certo?
> Um dos poucos que ainda acreditam no ser humano.
Posso? Claro que sim.
> Supersticioso demais.
Tenho uma assim ó: Enquanto o Santos, (meu clube do coração) tá jogando, só acendo um cigarro quando a bola tá com meu time. É pra dar sorte, sabe?
Mas a clássica mesmo é a roupa da vitória. Em 2002 o Santos foi campeão brasileiro e eu usava uma camiseta branca toda furada e velha. Eu ainda tenho essa camiseta só para finais ou jogos muito decisivos (sim, ela era velha em 2002, imaginem como ela está agora…).
> Nojo da política, ou melhor, dos que a exercem.
Não entendo alguém que tem como função defender os direitos e bem estar da população parar de trabalhar pra fazer política em troco de votos ou a favor de prejudicar alguém (resumindo bem a indignação).
> Sobre esporte, adoro.
Futebol, Olimpíadas, Copa do Mundo, vôlei, basquete, Fórmula 1, tampinha em distância, bolinha de gude… Vai Brasil! E meu Santos então? Nossa… Neurótico! Não ligo pros pseudo-intelectuais dizendo que isso é porcaria e que movimenta indústrias de corrupção blábláblá etc e tal… Não encham meu saco!
> E essa história estadunidense que assumem aqui sobre todos terem que ser vencedores? Nossa! Tenho vontade de morrer. Ninguém tem que ser vencedor, o ser humano tem mesmo é que procurar ser feliz, mais nada.
Bom, acho que é isso. Esse é um post mais pessoal. No melhor estilo “perfil do Orkut” de antigamente, descrevi alguns traços de minha personalidade, manias e ideais. Quem quiser fazer, eu aconselho. Até faz bem, mesmo que de forma momentânea.
E agora voltamos à nossa programação normal. Boa noite.
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Post 6
Esse é mais um da campanha #postdado. A sexta opção é dica do Reinaldão, via twitter (@plastico). Bora dar seqüência! Até a próxima…