Mãe Joana e o Rato Mexicano

Em seu consultório, Mãe Joana fazia seus “querequequê” preparando uns patuás pros clientes que ali iam. Eram patuás contra mau-olhado e proteção contra feitiços leves. Só 50 reais. No que estava ao meio da linha de produção de mandingas, Mãe Joana ouve os gritos estridentes de sua auxiliar número um, a Jozicléia.

- Mãezinha! Ô mãezinha! Me acuda!

- Ê Ê! Mas o que foi, mizinfia?

- Mãezinha… ali ó. Tá ali ó!

- Ali onde? O que é que suncê tá vendo?

- É desse tamanho, ó…

- O que é desse tamanho todo?

- Ai minha Nossa Senhora! Ai meu pai…

- Desembucha de uma vez, mizinfia!

- Um rato enorme! Um rato!!!

- Ê Ê! Corre mizinfia… Corre muito que o bicho é dos grande!

- Ai mãezinha… Não dá pra senhora usar um de seus poderes?

- Dá não… Dá não… Isso só pode sê trabaio feito pra nóis perdê os cliente. Que diabo de rato feio! Tem de pegá o bicho pra nóis podê demandá! Vai mizinfia… Isso é coisa pra suncê fazê! Mata ele… Mas não olha muito não. O bicho é feio e veio lá das profundeza!

- Ah não! Eu é que não vou lá…

- Ah vai sim mizinfia! Vai… Anda!

- Não mãezinha… tenho muito medo de rato. Deixa eu subir nessa cadeira com a senhora…

- Não… vai subi não! E escuta a Mãe Joana. Mizinfia tem que vence as provação da vida, e essa é uma… Mata o bicho!

- Não mãezinha… Por favor. Não quero passar por essa provação.

- Anda mizinfia! Eu vô ficá daqui de cima da cadeira pra chegá mais perto de Deus. Vô pedi pra suncê tê coragem e muita força! Suncê vai precisá de força… o bicho é grande por demais… Ê Ê!

- Ai mãezinha…

- Pára de chorá e vai logo! Tenho cliente daqui a pouco… Não quero que a madame ache que casa de Mãe Joana é suja e cheia de rato. Anda!

***

- Ufa! Ai mãezinha… só a senhora pra me fazer vencer meus medos. Tá aqui o bicho.

- Minha Nossa Senhora! Que coisa feia… Vô descobri quem fez esse trabaio aqui. Isso não é criatura de Deus não, mizinfia. Isso é o bicho que mora nos quintal do coisa-ruim.

- É mãe… Tem tamanho de rato, parece um gambá atropelado, mas rosna igual cachorro, sem falar nessa coleira que tá escrita “Augusto Henrique”. Mãezinha, por que o coisa-ruim iria batizar seu bicho de “Augusto Henrique”?

- Ah mizinfia, o capeta põe os nome que acha que vai confundi o povo daqui da terra…

- Hummm…

***

- Boa tarde dona Laurinha!

- Boa tarde Jozi… Vim pra uma consulta com Mãe Joana. Tá marcada.

- Eu sei. Se a senhora aguardar um minutinho, já anuncio que chegou.

- Tá bom. Mas Jozi, deixa eu lhe perguntar uma coisa.

- Claro, dona Laurinha.

- Andes de eu entrar, deixei meu filhote aqui e fui ali naquela loja em frente ver um vestido lindo que quero comprar. Você viu meu filhote?

- Filhote?

- Sim. Um cãozinho lindo desse tamanho…

- Hum…

- É um “pelado mexicano”… Caríssimo! Meu marido comprou pra mim de presente de bodas.

- Hum…

- Você não viu por aí?

- Vi não… Mas deve ser lindo! A senhora fique a vontade que vou lhe anunciar.

***

- Licença mãezinha?

- Fala mizinfia… Laurinha já chegou?

- Chegou sim. Mas sabe o rato morto?

- Tá aqui ó… Eita bicho lazarento!

- Pois é. Esconde ele rapidinho… vai por mim.

 

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3 Responses to “Mãe Joana e o Rato Mexicano”

  1. Thera Fajyn Says:

    kkkkkkk, muito bom!!!

    Vou ficar aqui mais perto de Deus para mandar muita força pra suncê…. HUAHAUHAUHAUHU

  2. “Fim do capitalismo” - Anotem essa frase | Parem o Mundo Says:

    [...] conversando com Mãe Joana e durante nossas calorosas discussões que ela sempre ganha conseguimos concordar em uma [...]

  3. Debora Says:

    aqui ñ é a pagina da Mãe Joana kkkkkrsrsrs!!!!!!

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