Como esperar por uma Princesa

É difícil demais esperar, e sei de gente que ganhou muita coisa na vida por ter essa sabedoria. A sabedoria da calma, de saber aguardar os melhores momentos. Eu não. Nunca fui bom nisso. Comigo é: Eu quero e tem que ser agora!

Eu achei que seria esse um defeito pra poucos, mas é o contrário. Hoje em dia, para um paulistano como sou, isso é normal. É dificílimo esperar o ônibus e toda a calma provocante do motorista. E a fila do banco? Será que aquela caixa que está conversando não sabe que só tenho mais quinze minutos pra ir a mais três bancos?! Absurdo! Outra coisa que me irrita é esperar pela pizza num sábado a noite. Cada moto que passa na porta de casa me faz levantar e eleva meus batimentos (sim, sou um gordinho).

Esperar é realmente maçante. E aí a gente reclama, né? Sempre a culpa é de alguém ou alguma coisa… Porém, quando temos a convicção que uma demora é inevitável, temos que tentar nos conformar. Fazer o que?

Dia desses, mais especificamente falando da madrugada do dia 7 para o dia 8 de novembro de 2009, estava eu de plantão num hospital.

Não, não sou médico.

Estava aguardando notícias sobre duas parentes minhas bem próximas. Uma era minha irmã mais nova, a outra minha sobrinha.

Quais problemas elas tinham?

Bom, na verdade não se tratavam de problemas. Minha irmã estava grávida e minha sobrinha iria nascer… é isso.

É uma ida ao hospital bem diferente, afinal, geralmente nessa situação estamos preocupados com coisa como, virando minha boca pra lá, doenças e acidentes. Só que aí o clima é outro. A ala de maternidade é diferente. Tem muita gente feliz e chorando com o corpo grudado no vidro do berçário. E foi assim que eu me distraí esperando a grande luta de minha irmã pra trazer sua filhinha ao mundo.

A sala de espera era bem em frente ao berçário. Ali eu podia optar em ver os familiares babões ou o filme ruim da madrugada. Preferi ver os familiares. E claro que não resisti e fui também olhar os recém nascidos ali, frágeis e quase sempre dorminhocos. Você olha pra essas crianças que acabaram de chegar e pensa, meus amigos. Pensa muito. O tempo todo. Pensa até na existência do homem. E quer saber, sensibilizável leitor, é ali que está o segredo. É dali que, uma vez bem criados, sairá a geração que finalmente vai dizer a que veio. É dali que o mundo pode mudar pra melhor, e não somente “evoluir”. Enfim, é nas crianças que temos que acreditar, pois nós adultos não temos mais salvação.

Continuando… depois de horas e mais horas, eu estava cansado por demais ainda na mesma sala de espera, só que eu lembrava que minha irmã se encontrava lá dentro há muito tempo tentando colocar sua filhotinha no mundo e não me sentia no direito de sentir cansaço. A manhã se aproximava e nada de minha pequenina sobrinha ajudar os outros bebês a iluminar o mundo. Ansiedade. Muita!

Se eu fosse um sábio que soubesse bem como controlar a ansiedade e esperar tranquilo, pensaria e deduziria que ela iria nascer em breve, e era só esperar mais um pouco. E assim foi. Ela veio. Ela, linda e pequenina já está entre nós. Quer saber, risonho leitor. Bons momentos assim não passam nunca. Vi minha sobrinha e fiquei feliz demais. Fiquei sem palavras. E assim foi.

E por falar em como eu fiquei. Eu fiquei com medo, afinal, que mundo cheio de preconceito, corrupção, violência e maldades aguarda a minha sobrinha? E depois sosseguei, sabem? Afinal, nem ela, nem meu filho e nem os outros pimpolhos podem temer a nada. Eles serão nossos heróis, e nem saberão disso.

Pequena Maria Clara, seja bem vinda a esse mundo! Ele é seu. Domine-o e faça dele melhor pra todos. Peça ajuda quando precisar e colo quando quiser chorar, mas não se assuste com o mundo feio. Se seus olhos forem iluminados como é sua presença, você sempre o verá pelo melhor lado. O lado que tem jeito.

Bem vinda, pequena princesa!

 

Tags: , , , , ,

Leave a Reply