A Caça ao Encoxador Misterioso – Capítulo 6
(Links para os capítulos anteriores ao final do texto. Acompanhem!)
- Ah Dog! Tô cansado de ficar só analisando, estudando…
- Ruf!
- Eu sei, meu amigo. Vou estar fazendo alguma coisa…
- Ruf…
- Ainda não sei como, mas não podemos estar deixando as jovens e belas moças à mercê de um bandido como esse. Afinal, são tão belas que merecem estar sendo tratadas como rainhas.
- Ruf, ruf…
Dog saiu da sala com ar de reprovação só parando pra se coçar enquanto Zé Gerúndio pensava em agir, mas seu grande dilema era: Por onde diabos começar? A maior linha de ataque se concentrava na zona sul daquela gigantesca metrópole; contudo, ainda eram muito equilibrados os números. O Encoxador Misterioso não era um homem que encoxava a caminho do trabalho, escola ou faculdade… era profissional e, na verdade, o meliante tinha suas táticas friamente traçadas para andar por toda a cidade sem ser percebido. Zé pensava e não queria mais ficar no QG. Zé enfim resolvera agir, e aquela era a hora! Enquanto se preparava pra sair, ligou o radinho de pilha e…
“A greve no metrô está prejudicando o trânsito de toda a cidade. Milhares de pessoas nos pontos de ônibus aguardam pra entrar nos coletivos extremamente lotados!”
Os joelhos de Zé estremeceram enquanto ele procurava um calção que não fosse muito largo.
- Greve de metrô? O maldito vai estar atacando!
Zé tinha razão em se preocupar. Hoje haveria um ataque com toda a certeza. Tudo estava muito fácil pro criminoso… Muito fácil!
Em uma mescla de euforia e preocupação, Zé Gerúndio se deparou com a possibilidade de
agarrar o vilão e deixar as belas senhoras e senhoritas livres desse mal urbano. Com isso, saiu em disparada. A tira do chinelo escapou, mas dessa vez isso não o impediu de continuar, pois mesmo com seu andar coxo e a debilitação de seu calçado, pegou-o em suas mãos e continuou a correr.
Chegando ao ponto de ônibus, Zé ainda tinha que escolher em qual das linhas subir. Sabia ele que quanto mais cheio, melhor para o Encoxador. Sendo assim, lembrou-se da linha que tem como destino a Praça Hélio Mourão. Aquele ônibus sim faz uma pessoa deixar de gostar da vida. Era demorado, dava muitas voltas da origem até o destino e estava sempre extremamente lotado… em dia de greve então, nem se fala. Tudo muito perfeito para um ataque.
Zé esperou por quarenta e cinco minutos. O ônibus chegou e ele subiu com muita dificuldade, se apertando por entre as pessoas. Ambiente perfeito para o criminoso.
- A senhora poderia estar dando licença? Obrigado. / Pois não senhor, pode estar passando sim… Não por isso.
Zé sempre procurando ser educado com todos, se via num ambiente muito apertado! Contatos inevitáveis com muitos.
Era preciso encontrar um ponto estratégico de onde seria possível avistar o coletivo todo. Montar guarda mesmo. Esperar por qualquer pessoa, não importando seus trajes, feições ou seja lá o que for. Poderia ser qualquer um, contudo, Zé tinha a impressão de que não se tratava de um homem grosseiro, intuindo ser uma pessoa muito mais refinada do que sua própria especialidade criminosa. Em todo caso…
Posicionou-se próximo à catraca, ao lado direito. O lugar era ruim demais. Zé tinha que olhar freneticamente de um lado a outro, e assim acabaria chamando a atenção se tivesse tirado a sorte grande e o Encoxador estivesse ali também. Na verdade, paramentado de calção, camiseta de propaganda política das eleições de 10 anos atrás e chinelos havaianas avariados, ele já chamava a atenção o suficiente.
Muitas possíveis vítimas. Havia ali um grande leque para o Encoxador. Zé, por ser levemente estrábico tinha uma vantagem boa por ninguém nunca saber para onde ele estava olhando de fato, e claro, com a astúcia que lhe é peculiar, observou cada uma das damas presentes.
“Olha aquela jovenzinha com a tatuagem estratégica… Linda!”
“Meu Deus! Óculos e nariz pequenino. Cintura fininha e cabelos longos. Jeito de intelectual. Adoro.”
“Ai… Adoraria salvar aquela segurando as pastas… Tão chique ela…”
“Olha a ruivinha, sempre adorei ruivinhas… Ufa! Essa sentou. Está livre.”
Depois da análise, Zé olhou pra trás e viu a vítima em potencial que mais se encaixava. Lembrou-se então das semelhanças entre ele e o criminoso para o gosto com relação às mulheres que havia identificado outrora, e assim pensou:
“Se eu estivesse querendo uma mulher desse ônibus, seria aquela”.
Morena de branco e tudo bem justinho? Tratava-se sim de uma boa opção. Então Zé foi buscar nova posição para que assim pudesse priorizar essa dama em sua guarda oculta. Tentou sair na mesma hora, mas não conseguiu. Suas havaianas realmente nunca lhe deram tantos problemas num único dia. Olhou pra baixo e viu que alguém estava a pisar no chinelo. Olhou para o homem que pisava em seu calçado sem perceber o que fazia e disse:
- O senhor poderia estar tirando…
O homem olhou, mas não deu muita atenção, sendo assim repetiu com um pouco mais de volume.
- O senhor poderia estar tirando…
- Estar tirando o que, senhor?
- Estar tirando o pé de minha havaiana!
- Oh! Perdão!
- Obrigado.
E se dirigiu até o fundo do ônibus no intuito de observar a bela senhorita que estava no meio do caminho.
Batata! Nem um minuto depois, um homem grande e forte, com cara de ser limitado intelectualmente chegou por trás dela com expressão de maníaco. Estaria mesmo encoxando? Não era possível que aquele troglodita conseguia sair ileso tantas vezes de suas ações criminosas. Não era possível! Nessa fração de segundo, Zé constatou. Estava mesmo abusando a garota. Mexia-se tal como Dog em suas empreitadas amorosas com as cadelinhas do bairro. Safado!
- Dessa vez não, fio duma égua!
A garota se defendeu com um belo tapa na cara do sujeito, e enquanto se dava inicio ao bate-boca, Zé pulou em cima do brutamonte com violência. Joelhadas nas genitálias era seu principal alvo.
- Toma! Seu safado!
E a mulherada do ônibus comentava em frenesi: “É ele?” “É o Zé?” “Lindo!”. Contudo, Zé só se concentrava em imobilizar o criminoso e entregá-lo à polícia.
Na realidade, o que ele não havia percebido era o quão grande seu maior suspeito se tornara de perto, mas isso não seria problema devido a sua maestria e malandragem num confronto direto como esse. Seu adversário tentou virar o jogo e subiu em cima de Zé com impressionante rapidez.
- Não tenho medo de Jiu-Jitsu, cabra safado!
E enfiou os dedos nos olhos do grandalhão. Daí pra frente foi soco e pontapé no melhor estilo luta-livre… Há quem diga que nunca se viu um rolê mexicano tão bem aplicado.
O ônibus parou. Zé saiu do ônibus com o grandalhão totalmente tonto sem entender direito o que acontecera.
Na rua todos corriam para ver o que estava a acontecer. Zé tirou o suspeito do chão e começou uma pressão que faria até Sua Santidade confessar.
- Há quanto tempo você encoxa, filo duma??? Fala! Ou terei que estar continuando o que comecei lá dentro. Fala!!!
- Calma… Eu não…
- Eu não, o quê? Mentiroso desavergonhado!
Zé deu um safanão no suspeito e voltou a gritar possesso de fúria.
- Se você não confessar agora, vou estar ensinando pra você minha técnica do rolê mexicano! Abre a boca safado!
- Foi a primeira… eu juro! Juro pela minha mãezinha… Eu vi as reportagens. Vi as entrevistas. Vi o ataque àquela repórter… Fiquei com vontade… Mas juro que passou!
- Ahhh! Aquela repórter… Bonita ela né…
E em tempo:
- Cala essa boca!!!
E mais um safanão, só que parecia ser mais pela raiva e frustração, pois percebeu desde o inicio que não se tratava de um profissional. Esse homem não passaria tanto tempo sem ser pego.
Enfim, chegam polícia e imprensa. A tal repórter Juliana Maçã, vítima do Encoxador em rede nacional, estava presente com um interesse acima dos demais. Foi contida pelos policiais de forma brusca. Porém, conseguiu habilidosamente driblar o bloqueio e chegou perto com o microfone em riste.
- Zé Gerúndio! Zé Gerúndio! Por favor, dê um depoimento… É ele?
- Claro que posso estar falando.
- É ele Zé? Pegou o Encoxador?
- Infelizmente não, bela moça. Esse era um amador e admirador de meu… quer dizer, nosso alvo. Chamamos de “copiador”.
- Então pegou outro encoxador?
- Quer dizer “Ex-encoxador”, né? Porque depois da coça que lhe apliquei, ele vai estar querendo virar padre. Nenhum homem faltará com o respeito a uma linda jovem em minha frente. Se eu tivesse naquele ônibus quando ele atacou a senh… É senhorita?
- É… – respondeu Juliana visivelmente embaraçada mediante à mira do olhar sensualmente vesgo de Zé.
- Pois então. Ele jamais haveria lhe tocado se eu estivesse por perto.
- Eu sei… Corta Edmilson!
- Sem microfone posso estar falando melhor. Quer uma exclusiva sobre os detalhes? Assim podemos estar conversando com mais calma e longe desse tumulto. Toma cerveja?
- Mais ou menos… quer dizer… eu quero! É… Vamos sim!
E corada, segurou no braço de Zé Gerúndio caminhando pra longe da multidão que cercava o acontecido.
***
Na manhã seguinte no QG, Zé dava uma gororoba muito estranha à Dog enquanto preparava o café da manhã para a repórter Juliana que se encontrava na cama do herói mergulhada em sono profundo. Ao mesmo tempo, Zé fazia uma ligação que parecia ser muito importante:
- É da companhia de ônibus? Aqui é Zé Gerúndio. Sim, eu mesmo… Obrigado! Muito obrigado mesmo. Posso falar no “Achados e Perdidos”? É urgente. Ah, é aí mesmo? Ótimo! Perdi meu calçado. Isso. Isso. Chinelo. Azul claro e tinha um prego segurando a tira… Sim. Isso mesmo… Ok, vou estar aguardando…
—
Acompanhem os capítulos anteriores:
1- O Ataque do Encoxador Misterioso (blog Dicas Sobre Nada);
2- O Arquiinimigo de Zé Gerúndio (blog Documento Tupiniquim);
3- Encoxando na TV (blog Dicas Sobre Nada);
4- A Investigação (blog Documento Tupiniquim);
5- Empatando a Encoxada (blog Dicas Sobre Nada);
Tags: arquiinimigo, Conto, detetive, dog, encoxador, heroi, inimigo, misterioso, onibus, serie, super-heroi, vilao, ze gerundio


May 2nd, 2008 at 12:29 pm
Não estou acreditando! O Zé acabou conseguindo se dar bem logo no primeiro encontro com a Juliana Maçã????
May 2nd, 2008 at 12:50 pm
Olhar sensualmente vesgo? como pode isso? rsrsrs
Vou estar aguardando o próximo capítulo..
May 2nd, 2008 at 1:40 pm
Pois é Ênião! O Zé é ukiá!
Mandy… fala isso pois não conhece o Zé. E o andar coxo então??? Irresistível…
[]s
May 2nd, 2008 at 4:28 pm
É…, o cara tem seus atrativos. Mas também, essa Juliana deveria estar na freve desde a última segunda-feira….
May 2nd, 2008 at 4:29 pm
freve não, febre, e daquela tipo “furor uterino”!
May 2nd, 2008 at 11:47 pm
hahahahahah eu adorey!! E achei assustador ao mesmo tempo.
May 6th, 2008 at 7:45 pm
HUhuhuauhhuahu
Aguardarei as cenas do próximo capítulo, desta sanguinária saga….
*medo*
June 20th, 2008 at 5:54 pm
[...] A Investigação (blog Documento Tupiniquim); 5- Empatando a Encoxada (blog Dicas Sobre Nada); 6- Um Encoxador Amador (blog Documento Tupiniquim); 7- Encoxando a Morenaça (blog Dicas Sobre Nada); 8- A Musa de Zé [...]