Comprar, comprar e comprar. Será que nossa vida atual se baseia nisso? Bom, acredito piamente que se não vivemos para isso, ao menos dedicamos generosa parte de nossos esforços em aquisições geralmente supérfluas. A sociedade nos leva a isso. O mercado publicitário nos convence disso. E assim vamos trabalhando para adquirir cada vez mais coisas contendo tecnologias de ponta que são de ponta por uma semana e meia, ou também roupas da moda que duram estações. Moda outono-inverno ou primavera-verão. Isso quer dizer que a vida útil dessas roupas é de no máximo seis meses, depois você é nada mais nada menos que um “pé-rapado” fora de moda, acaba de entrar no hall das camisetas de campanha políticas de 12 anos atrás, mercadinho de bairro e coisas do gênero.
As peruas esnobes te vêem com essa roupa que gastou uma verdadeira fortuna e fazem questão de comentar: “Nossa! No verão passado você a-rra-sou com esse vestidinho…”. Ou então entram em sua casa e dizem: “Você ainda está com essa tevê???”. Sim, e ainda tem sete folhas de carnê a serem quitadas. Isso tudo acaba até que de forma indireta encaminhando-nos a uma direção absolutamente e porque não dizer futilmente, consumista.
Aí dizem, se você vai de encontro a isso, que se você trabalha tanto é para ter esses prazeres. “Eu preciso de determinada coisa…”. Preciso??? Da mesma forma que precisa de arroz e feijão? Pois é. É desta forma. E, diga-se de passagem, quem tira a razão desta frase dita por alguém?
Acredito que o mais difícil seja lutar contra o consumismo. Todos nós sabemos dessa situação. Ficamos durante dez anos com uma grande televisão de 21 polegadas. Nunca reclamamos. De repente, surgem em todas as lojas de eletrodomésticos aparelhos de tevê de 29 polegadas. Todos já a têm. Ah! Quem não vai querer uma beleza dessas?! É justo não? Sendo assim, lá vai João pesquisar os preços. Na primeira loja:
- Boa noite senhor! Meu nome é Ariovaldo Varela. Qual é o nome do senhor?
- Hummm, João. Por favor, eu quero saber o preço dessa tevê aqui.
- Essa Sr João??? O que o senhor quer mesmo é algo melhor. Tela plana. Widescreen. 32 polegadas. Mais leve. E blá, blábláblá e bláblá. O que acha? Olha que beleza!
Na verdade não é possível entender nada do que ele falou, e não dá pra crer que o próprio vendedor saiba bem do que se trata, mas claro que o Sr. João não pode ficar por baixo.
- Que bom heim!!! Quanto custa?
- Mais barato do que uma jóia dessas vale. E fazemos em 24 vezes no carnê.
- Olha!!! E qual seria o valor?
- Valor??? Para um aparelho do futuro como este? Ninguém tem. Algo que todos seus amigos e vizinhos suarão para ter uma igual? Pechincha…
Finalmente o vendedor tocara no assunto que realmente é relevante, fazer inveja a todos.
- Vou levar!
E afinal de contas, qual era o valor? Também, de que importa o valor se é uma tevê com tela plana (pra que serve tela plana?), widescreen (uaide o quê?), 32 polegadas (nunca vi uma régua em polegadas), e mais dúzias de blábláblás. Sem contar na inveja que proporciona este aparelho singular na face da terra.
E o preço das outras lojas? Ah! Com esse carnê de 24 parcelas, não tem porque procurar em outro lugar.
Assim segue João para sua casa. No dia seguinte entregam o aparelho e instalam.
O aparelho novo não tem entrada para sua antena com o bombril na ponta, tem que ser no mínimo a cabo. Assim João agora terá que assinar um pacote Master Ultra Luxo Plus para poder assistir seu jogo em sua nova aquisição.
Depois de instalada a tevê a cabo com 277 canais só para João, ele convida seu vizinho para um pôquer e mostra a beleza, o sonho de qualquer um, o futuro bem no meio de sua sala.
- Olha que bacana heim João!
- É.
- Finalmente tela plana…
- É. Bom mesmo isso né? (ele ainda não descobriu que diferença faz a tela plana).
- Eu comprei uma da mesma marca, só que 42 polegadas.
E João partiu pra grosseria.
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Tags: capitalismo, comprar, consumismo, Crônica, humor, loja, teve







July 29th, 2008 at 11:34 pm
Eh impressionante como o mundo capitalista influencia na vida das pessoas, principalmente de classes de menor poder aquisitivo, eles pegam no “Psicológico” da pessoa como diz um amigo meu. Tachado de pão duro, mas às vezes o dono da verdade…
“Capetalismo” é o câncer do planeta…
Resp.:
Hahahaha… Capetalismo eu nunca tinha ouvido! Muito bom.
Tem toda razão, Rômullo.
Abraços.
July 30th, 2008 at 10:52 am
hahahahahha, cara os diálogos estão perfeitos, conversa de vendedor mesmo e o final é muito bom, to rindo sozinho aqui
Resp.:
hehehe…
Valeu meu véi! São meus textos preferidos os que vão nessa linha
July 30th, 2008 at 11:33 am
kkkk bem feito, foi tentar ser malandro. Ele ainda pode processar o vendedor, ele tinha garantido que os vizinhos ainda não tinham, hehehe!
Resp.:
Pode crer, Thera! Não tinha pensado nisso… Só que se olharmos pelo ponto de vista do vendedor, a tevê do vizinho não é igual… é melhor! heheheh
July 31st, 2008 at 3:15 pm
Preciso disso é foda… Sou a favor da diversão como compensação ao trabalho, ao stress, mas tudo tem limite. Convivo com um comprador de tecnologias compulsivo… Mesmo sendo mulher (e levando essa fama de compulsiva por causa da maioria da ‘classe’) não sou assim…
Beijocas!
Resp.:
Oi Line!!! Que bom você por aqui!
BOm, você tem razão… o sentido da palavra precisar sofreu uma mutação com a chegada do “capetalismo”, como disse o Rômullo.
July 31st, 2008 at 10:32 pm
Na tela plana você assiste à Tela Quente e depois à Super-tela e depois à Bispa Sônia (em vídeo teipe).
Resp.:
Pelo menos a Bispa é engraçada…