Posts Tagged ‘bar’

Preconceito é Preconceito!

Wednesday, May 20th, 2009

Todo e qualquer tipo de preconceito deve ser eliminado da existência humana. As maiores barbaridades feitas durante a história da humanidade envolveram preconceitos religiosos, raciais, sexuais ou semelhantes. É fato e não temos como negar.

Irracionalidade é o que em suma move o preconceito. Falta de compreensão e intolerância induzem pessoas a praticar atos ou mesmo tecer comentários injustos, infundados e moralmente maldosos.

Coisa pior do que preconceito? Não creio que exista. Qualquer outra maldade conhecida e frequentemente reconhecida como bárbara e desumana tem algum tipo de preconceito ou intolerância envolvida. É ou não é? Veja o exemplo das guerras no Oriente Médio, ou também as da África. Intolerâncias religiosas, políticas e históricas movem povos inteiros a se destruírem das formas mais violentas possíveis. Generalizam povos inteiros como se o ser humano fosse generalizável. Esses são casos bem frequentes em nossos jornais e noticiários, porém bem mais perto do que se imagina temos o preconceito em baixo de nossos narizes, e quem sabe inconscientemente correndo em nossas próprias veias. Uma auto-reflexão é necessária sempre, quase que em doses homeopáticas, para que possamos sempre evitar e limar esse mal que nos é sugerido pela sociedade em que vivemos.

Agora chego ao ponto que estava querendo. Além das formas de preconceitos infelizmente tradicionais que conhecemos bem, temos um em especial que notei e venho aqui clamar por justiça. Venho alertar ao povo brasileiro que se mova para que isso não ocorra em nossa sociedade já tão aflita pela violência e também pelo descaso de nossos governantes. Venho aqui interceder em nome do bolovo! Isso mesmo, caro amigo! Não podemos deixar que salgadinhos de botequim como a tradicional coxinha, ou mesmo risóles e bolinhos de carne possam ser tão cobiçados pelos frequentadores de bares e ditos botecos, e que o bolovo, que é bem semelhante a todos esses, seja discriminado pela sociedade como o salgado que não deve ser comido, e vez em quando nem deve ser nomeado. Hipocrisia! Pois se sabe muito bem que o bolovo é idêntico à coxinha, mas com a diferença somente no recheio.

Chega de hipocrisia e mais bolovo na mesa do brasileiro!

Um Robin Hood Pitoresco

Friday, March 6th, 2009

Vou comentar notícia, apesar de fazer bom tempo que não fazia isso por aqui, achei irresistível. Existem fatos inusitados acontecendo por todo o mundo. Coisas fora do normal (bem fora). Coisas que só podem ser ouvidas em papos loroteiros de primeira grandeza. Algo acima. Inimaginável.

Pois é. Pudera eu voltar a escrever diariamente sobre o assunto (ou assuntos). Diversão garantida que vou tentar transmitir a você, enrolado leitor.

Na Austrália, mais especificamente em Darwin, algo acima do estranho aconteceu. Um bar comum foi invadido por volta das cinco da manhã. O meliante, larápio e malfeitor, entrou, escolheu a bebida mais cara e tomou… tomou e tomou sem parar. Tomou até causar o prejuízo do equivalente a R$ 6 mil. Bastante né? Estranho né? Pois é. O cara esperou o bar fechar para que quase na manhã do dia seguinte invadisse e se acabasse de beber. Deu uma tijolada na janela, invadiu e ingeriu. Simples como pegar um ônibus.

Contudo, trata-se de um crime até certo ponto normal. Seria mais normal ainda se ele tivesse roubado dinheiro. Mas até onde eu contei, isso tudo me parece comum. É ou não é? Pois então, o que faz do acontecido um bom motivo pra eu vir aqui, escrever e publicar um texto sobre? Simples. Trata-se do pequeno detalhe. Reproduzindo novamente a história, o invasor deu a tijolada, invadiu, mas antes de começar a beber, ele tirou todas suas roupas e encheu a cara peladásso! Nu com a mão no bolso. Como veio ao mundo. Escolheu uma bebida bem cara e por fim, causou o belo prejuízo que causou.

Quer entender? Eu aconselho não tentar. Eu já até criei uma teoria pensando que ele esteve sem dinheiro no bar uma noite antes e ficou com muita vontade de tomar a tal bebida, mas como não tinha nada pra pagar, se revoltou e resolveu que voltaria lá pra ir à forra contra a sociedade capitalista que o oprime e impede de tomar uma bela birita de qualidade. Enfim, fiquei pensativo com a história de nosso protagonista, que agora com certeza está andando pelas ruas de Darwin provavelmente vestido e feliz da vida (bêbado ainda, creio eu).

Ah! Faltou comentar que a polícia ainda não o pegou. E querem saber? Sei lá se vai pegar, ou querer pegar. Esse homem é um herói! Ele fez o que muita gente gostaria de fazer vez em quando. Comer e beber de graça sem restrições nem preocupações. Boa Peladão! Continue balançando seu… ou melhor, atirando seu tijolo pelas janelas ricas alheias! Esse é ninguém menos do que o Robin Hood da manguaça!

Dica: Pedrão

Fonte: G1

Ano-Novo, Vida Nova no Bar do Seu Milton

Monday, January 12th, 2009

- Faaala Seu Milton!!! Como é que tá essa força toda?

- Tudo certo Derba. E contigo? Por onde andou nesse final de ano?

- Tava na casa da sogra no litoral…

Aderbal é cliente assíduo do Bar do Seu Milton. Difícil estar lá e não encontrá-lo. Seu Milton até sentia falta da presença do “Derba”, afinal, quantas foram as vezes em que não ouvira os lamentos da vida de casado, especialmente quando a sogra estava envolvida. De vez em quando ele até ficava devendo alguma coisa, mas cedo ou tarde acertava suas contas. Enrolado o Derba.

Seu Milton sabia bem que, se o Derba passou as festas de fim de ano na casa da sogra, isso representava pelo menos um mês de lamentações e maldições lançadas para “a sogra”. Ele nunca dizia o nome dela. Na verdade, não se sabe se o Derba tem tal conhecimento.

- Fim de ano com a sogrona, heim Derba! Tá amolecendo rapaz?

- Nada! É uma técnica pra tornar a vida mais otimista.

- Como assim?

- Eu explico sem problemas…

- Menino. Busca um chope pro Derba que essa eu quero ouvir.

Enquanto o “Menino” foi buscar o chope do Derba, Seu Milton tirou o paninho do ombro e começou a secar copos secos atrás do balcão demonstrando ansiedade pra escutar a tal teoria.

- Desembucha rapaz!

- Então Seu Milton. O senhor sabe bem que minha sogra é a enviada do capeta na terra, não sabe?

- Saber eu não sei… Mas pelo que você diz, deve de ser mesmo.

- Pois é. Ela ficou atentando minha mulher dezembro inteiro pra passarmos o fim de ano na casa dela em São Vicente. Casa boa, Seu Milton. Muito mais do que aquela megera merece…

- Hummm.

- Desce outro chopinho por favor, Seu Milton!

- Menino! Mais um pra cá…

- Continuando… Eu gosto da casa, mas só se ela não estivesse dentro dela. Não queria ir, mas a patroa insistia muito. Era um tal de “não quero ficar sozinha” pra cá, ou “você odeia minha família” pra lá. Eu já estava a ponto de admitir que odeio realmente a família dela quando pensei… Por que não?

- É mesmo?

- É Seu Milton. O ano novo sempre vem comigo bêbado cercado de amigos. Sempre acordo no 1º de Janeiro bem e feliz pelo que foi o 31 de Dezembro. Mas e o resto do ano? Sempre cheio de sacrifícios. Sempre muito complicado.

- Pois é.

- Então. Pensei comigo: “E se eu fizer justamente o contrário? E se eu tiver uma passagem de m*rda!”

- Acho que to entendendo.

- É isso, Seu Milton. Passei a virada com a lazarenta da minha sogra pra isso. Tudo é uma questão de tática. Esse ano a coisa anda. To jogando na loteria, apostando nos cavalos, Jogo do Bicho. Tudo… Uma hora a coisa toda funciona.

- Pois é… Loteria, né?

- Isso!

- Cavalos e Jogo do Bicho, né?

- Também são opções boas!

- Legal. E essa conta de mais de 200 pilas aberta aqui no meu bar! Tá de sacanagem, né Derba!? Pois com a crise econômica detonando tudo, vamos suspender seus créditos por hora. Até você ganhar no Bicho e me pagar tudinho que deve. Pode ser?

- Pô Seu Milton! Não sacaneia também, né?

- Não… vou até dar um dica: Joga no burro! Tem muito a ver com esse novo momento que você tá passando. Menino! Suspende o chope do Derba porque ele tem que guardar a grana pra ficar rico.

- Puts. Sabe de quem é a culpa? Da desgraçada da minha sogra! Qualquer dia eu mato a filha duma…

Seu Milton, o Melhor de Todos os Barmans

Thursday, October 2nd, 2008

Seu Milton é um barman de primeira, daqueles que nasceram pra isso. Serve bem, é simpatia toda vida e ouve como ninguém mais. Sabe-se de pessoas que vão ao bar do seu Milton só pra conversar com ele. É o amigo de todas as horas.

Seu Milton não esquece um rosto por nada. Conhece cada um de seus clientes, desde o mais extrovertido e gozador, até o mais fechado e depressivo. De todos, seu Milton tem a confiança necessária para que eles se abram e despejem suas angústias, ou nos casos mais raros, suas alegrias.

Sempre com o pano no ombro atrás do balcão do bar, ele recebe seus clientes. E por incrível que pareça, parece sempre estar secando um copo. Copos úmidos nunca se acabam no bar do seu Milton.

- E aí rapaz? Tudo bem?

- Faaala seu Milton! Cumé que tá?

- Tudo certo. Desce um chope aqui pro meu amigo!

- Certo seu Milton. E aí, como vão as coisas?

- Ah! Tudo certo. E contigo?

- P*rra! Fui promovido, seu Milton!

- Tá brincando? Ô menino! Desce uma tequila pro meu amigo aqui e é por conta da casa.

- Boa! O senhor brinda comigo?

- Não Alê. Sabe que não bebo.

- É verdade, mas tome um suco então. De que adianta um brinde sem um copo pra tocar?

- É verdade. Faz um suco também, menino!

O tal menino trás os dois copos que se tocam e brindam à promoção de Alexandre, que agora é gerente de marketing de uma empresa em franco crescimento. Um matou o shot de tequila numa pancada só, e o outro bebericou seu suco limpando o “bigode de laranja” que sobrou com a parte inferior do lábio.

- Mas e aquele seu Corinthians, heim? Como vai na segundona?

- Pô seu Milton! Como é que um homem com o conhecimento do senhor, sempre atualizado sobre tudo, não sabe que meu time vai muito bem obrigado nesse campeonato?

- Ah! Eu não acompanho segunda divisão. Nem pra torcer contra o seu time.

- Sabia que o senhor iria sacanear! Pode tirar esse sorrisinho maroto da cara porque ano que vem não tem pra ninguém. Vamos entrar pra varrer todo mundo da frente.

- Hum, sei.

- E essas eleições, heim seu Milton? Vai votar em quem?

- Olha que pergunta mais indiscreta.

- Ah vai! Não vai dizer pra gente quebrar um pau hoje?

- Tá, só pra eu ouvir o que tem a dizer, eu vou anular meu voto.

- Não acredito!

- Eu é que não acredito! Não acredito em nenhuma balela que esse povo fala. Eu só acredito em bar e em gente que apóia o cotovelo no meu balcão, de resto, não dá mais.

- Ah! Mas um dia já acreditou, né?

- Sim. Um dia. Mas faz tempo, sabe? Nem me lembro mais. Foi na mesma época que meu pai lia história do saci pra mim na cama. O saci ele lia nas terças, e os políticos honestos nas quintas.

Risadas gerais em torno da conversa que já chamava a atenção de quem estava por perto. Muita gente entrou no papo. Muita gente começou a discutir sobre os candidatos e seus planos de governo. Depois o papo retornou ao futebol, passou pela queda da bolsa de valores, e foi até na existência ou não de um ser supremo e divino, se ele tem barba, ou se é brasileiro mesmo. Mas nisso todos concordaram… todos os dez que estavam na conversa naquele momento afirmaram que Deus era brasileiro e já até havia jogado na ponta esquerda do Jabaquara na década de 50, e os mais velhos até diziam que era melhor do que o Pelé. Só o seu Milton que já não participava mais da conversa. Ele já estava do outro lado do bar em outro papo, provavelmente sobre outro assunto também, sempre com o paninho no ombro ou nas mãos, secando um copo qualquer.

Calos nos Cotovelos

Wednesday, August 20th, 2008

- Bobagem! Isso é coisa de fresco…

Disse Valtão após um convite pra uma festa na casa de um amigo. Valtão é do tipo que não gosta de modernidades. “Que diabos é isso?”, disse ele após ouvir música eletrônica no carro de um amigo. “Se não desligar, eu desço!”. E descia mesmo. Pro Valtão, música mesmo não dá dinheiro, então não seria possível ouvir em rádios ou mesmo se encontrar a venda em lojas.

- Meu negócio é boteco, rapaz!

- Pô Valtão! Vai ser divertido…

- Boteco! Quer sair? Boteco do Miranda. É pra lá que eu vou.

- Aquele lugar fede, cara.

- Não interessa! Aqui tem calo no cotovelo de apoiar em balcão de bar. Calo no cotovelo!

E fez todos olharem pra ele e até colocarem a mão em seu cotovelo.

- Isso é nojento, Valtão! Deve ter resto de comida aí…

- Tremoço! Cerveja e tremoço.

- Ah vai… Me diga então que não curte uma batatinha frita.

- Tremoço! E só tremoço!

- Meu Senhor…

Valtão, quando saia do bar bêbado, ficava na rua de sua casa olhando o movimento. Não gostava dos carros passando com som alto e ruim. Muxoxava e desaprovava com a cabeça. Ficava ele e o guarda da rua, o Jorjão, falando sobre a integridade moral dos moradores da rua.

- Biscate! É isso que ela é, Jorjão.

- É…

- Já deu em cima de mim, mas não gosto de mulher assim…

- É. Eu sei.

- Aquele ali enche o carro de mulher todo dia, mas acho mesmo é que ele é veado!

- Se você tá falando…

- Pois é.

E ia pra casa dormir todo dia, no mesmo quarto de dez anos atrás, com um pôster de banda que nem ouve mais, com a coleção de carrinhos de brinquedo que nunca mais fora renovada, e com os mesmo lençóis lavados e esticados pela sua mãe.

Valtão preserva os costumes antigos. Diz ele que nasceu na época errada. É um cara feliz do jeito dele. Nunca sai. Valtão gosta mesmo é de boteco e tem calos nos cotovelos.

Adicionar aos Favoritos BlogBlogs Adicionar artigo ao Del.icio.us Adicionar artigo ao Digg! Adicionar artigo ao DiHitt Adicionar artigo ao Eu Curti Adicionar artigo ao Furl Adicionar esta noticia no Linkk Adicionar artigo ao Rec6 Adicionar artigo ao reddit Adicionar artigo ao Slashdot Adicionar site ao Stumble Adicionar aos Favoritos Technorati Sabedorize esta not¿ia no WebSapiens

Quer ter estes botões no seu site? Acesse

Amigos a Gente Não Escolhe

Sunday, June 29th, 2008

Depois de longo e cabuloso inverno, mano, o dT volta a responder memes.

O tema desse aqui é amizade. Muitos memes falam disso. Deve ser porque podemos declarar publicamente que um ou outro é amigo dentro da blogosfera. Sou um cara que não curte muito deixar alguém fora da lista, portanto já adianto que não listarei ao final e deixarei à vontade de meus leitores que têm seus blogs seguirem, prometendo depois de avisado, inserir os links, mesmo que sejam 50 (viji Maria meu padinho Ciço!).

Esse quem me mandou foi o Evandrão do blog Parem o Mundo, seguido pelo Henrique do 21 horas. Já troquei vários memes com eles, agora só tá faltando pro Evandro dar um pulo aqui em Sampa para uma tal cervejinha já prometida há tempos, e o Henrique, que ainda não sei de onde é (esqueço de perguntar), mas que seria muito bem vindo numa mesa comigo. Aliás, me apoiarei na tal “cervejinha” para definir a amizade.

- P*rra Pandão! Apoiar amizade em álcool?

Pois é, amigos. Se tomarmos uma juntos, pode crer que me sinto à vontade ao lado de vocês. Não que seja uma obrigação, claro. A vida dificulta esses encontros de várias formas e nem sempre há a possibilidade, porém, na versão particularizada da minha pessoa (já diria Peterson Foca), sentar numa mesa de bar, mandar descer uma estupidamente gelada (já diria Chico Buarque) e um acompanhamento qualquer, é sinal de felicidade para esse que vos escreve, e gosto de estar muito bem acompanhado. Amigos e amigas, cerveja, vinho, uísque ou cueca-cuela, bar, mesa e risadas são quase meu habitat natural.

Um salve pro Evandrão. Amigo que não escolhi, porém foi uma bela demonstração de que o meio eletrônico-nerd pode proporcionar grandes amizades, que depois se tornam pessoais. Que venha Evandrão a Sampa. E pro Henrique, que também não escolhi e nos falamos por pura afinidade, possamos nós tomar essa junto com ele, e falar bobagens em larga escala a respeito de tudo. Quem sabe no dia em que isso acontecer, haverá aquele #nob pra conhecermos ainda mais gente doida com quem se divide uma mesa com singular prazer.

Pra riba!

Garçonetes Meticulosas

Sunday, February 24th, 2008

Tem gente que não consegue dizer não. Às vezes precisa até aprender essa arte pra impedir de ser passado pra trás e conseguir que não lhe arranquem até as cuecas. Tem gente que tem essa característica aflorada, e qualquer pedido que lhes sejam dirigido há a enorme dificuldade de se pronunciar o esplendoroso “não”.

Agora, tem gente que joga sujo, baixo. Sabem, até as pessoas mais decididas têm dificuldades para o “não” em certas ocasiões. Quais? Bom, vou contar uma história verídica pra ilustrar e pronto, todos assim entenderão.

Certo dia fui a um bar pra comemorar o aniversário de uma amiga. Tudo normal. Eu duro de fazer raiva já fui decidido a ficar pouco por razões óbvias, mas fui. Eis que me sento à mesa começando a conversa animada com todos ali presentes e ouço:

- Vai querer alguma coisa?

Após o pequeno susto, me viro e vejo um anjo vestido de garçonete. Depois de uma bela gaguejada, respondo:garconete.jpg

- Ah! Alguma coisa? Hummm… Deixa ver…

Sem tirar os olhos dela. Linda, linda, linda!

- É… quero um chope, tem?

Não animal! Afinal, aquilo era ou não era uma choperia?

- Tem sim…

Responde aquela mulher quase divina com um sorrisinho lindo me dizendo que ela lia meus pensamentos, apesar de achar que não era algo difícil de fazer naquele momento.

- Mais alguma coisa?

- (você)

Essa resposta foi absolutamente em pensamento, mas ela ouviu, sei que ouviu.

E então me determinei a ser aquele o único chope da noite. E que no máximo dali a uma hora estaria a caminho de casa. Pronto! É só me controlar. Fácil. Tranqüilo…

- Seu chope…

- Chope? É… Ah sim! Eu havia pedido, né?

- É sim…

O sorrisinho de novo. Aquela mulher era obra do coisa-ruim, não é possível!

- Se precisar de qualquer coisa, estarei ali…

- (preciso de você!)

Ela ouvia. Sei que sim.

Enfim, comecei a tomar meu chope e bater aquele papo descontraído. Quando o copo estava quase secando, eu ouço:

- Aceita mais um?

- Hã? Que? Mais um? É…

Mais linda que a outra. Como pode? Será o Benedito? Não. Quem sabe a filha dele…

- Aceita?

- Sim, claro!

E querem saber de uma coisa? Só tinha mulher bonita servindo naquele lugar. Uma melhor que a outra, todavia, o sorriso sempre igual. Aquele sorriso era quase uma espécie de masoquismo, eu sabia que iria me quebrar ao meio, porém adorava.

Cinco chopes depois eu já via que a única alternativa era sair correndo. Não daria pra ficar sentado ali com aquele desfile querendo me servir, e depois aquele cara grande na porta cobrando a conta não me daria margens para explicações. Se querem saber, eu nem imaginava quanto custava o chope, mas bebi. Cheguei a comentar várias vezes a todos na mesa que precisava ir embora, contudo, toda vez que soltava a frase de despedida:

- Aceita mais um?

E pronto! Mais um chope. Eu acho que havia alguma escuta na mesa e as meninas com pontos auriculares de áudio não deixavam com que eu me levantasse. Só podia ser isso. Eu era um refém.

Quando saí do lugar, acabei com todos os planos do mês que careciam de algum dinheiro. As beldades me limparam. Destruíram-me impiedosamente. Isso é uma tática marketeira e das boas. Homem ali, ou gasta ou só gosta das cervejas, se é que me entendem. Lindas, lindas, lindas. Todas elas.

Dali em diante tenho uma regra. Sair pra bar, só se for daqueles bem fuleiros onde há garçons dos bem comuns e mal-humorados. Sabe como é… isso facilita e muito as coisas. É só pedir copo limpo.


Leiam mais:
13/01/08 – Notícias Peladas!
05/12/07 – Placas de Trânsito “Diferentes”