Posts Tagged ‘carro’

Tudo Funciona numa Oficina

Thursday, September 4th, 2008

Quem nunca ouviu falar, ou mesmo viveu uma daquelas situações em que algo só não funciona com você? Carro é o exemplo clássico. Barulhos, falhas, temperaturas elevadas, tudo acontece quando estão só você e ele. Aí, você arruma um tempinho e leva o automóvel no mecânico. Lá, você explica qual o problema e o cara coça a barba com a mão toda suja de graxa, entra no carro com as calças sujas de graxa, e nada acontece. Os problemas não estão mais lá. Numa oficina mecânica, tudo funciona, inclusive um acessório que seu carro nunca teve.

- Bacana seu DVD, heim chefia?

- DVD? Esse carro nunca teve DVD!

É uma questão não-científica que todo mundo já ouviu falar. O que aconteceu com tudo de ruim que estava acontecendo ao seu carro? Os problemas estão na verdade na próxima esquina esperando você passar com sua cara de bobo, para retornarem correndo ao veículo. São problemas tímidos.

Acontece também com computadores. É impressionante! Você convida aquele seu amigo que manja muito de computador pra uma cervejinha (nota: manja muito quer dizer qualquer um que saiba mais do que você). Já na sua casa, após quinze minutos de conversa, você encontra a deixa que precisava para convidá-lo novamente, só que agora pra consertar sua máquina que insiste em não ligar há duas semanas. Ela não liga, faz barulhos estranhos, apitos jamais ouvidos antes (inclusive pelo criador do sistema). O seu amigo já percebe que você não queria botar o assunto em dia porcaria nenhuma, queria mesmo era um técnico de baixo custo (duas cervejas bastam). Enfim, mal humorado, seu “amigão” senta em frente ao seu computador possuído pelos piores demônios vindos direto do inferno, e liga. Você faz cara de dor esperando por todo aquele festival de sons e imagens jamais vistos anteriormente, mas a máquina liga normalmente. Depois de um profundo suspiro, seu irritado amigo levanta e diz que tem um compromisso. Vai embora. Qual o saldo? Ele nunca mais aceitará um convite seu, e o computador dará o mesmo problema sobrenatural no momento em que o técnico grátis se for. Batata!

Isso acontece em muitas situações. Alguns problemas, imagino eu, portam sim uma espécie de personalidade. Essa personalidade fica entre tímida e até brincalhona. Os problemas só surgem em particular. Talvez seja pra curtir com sua cara de bobo quando o especialista te olha após constatar que tudo está em perfeito funcionamento com seu aparelho, carro ou seja lá o que for. Talvez também aconteça que o problema é encabulado. Não gosta da exposição direta. Ele só se sente a vontade com você, e só se apresenta quando estão os dois num momento mais íntimo, a sós e a luz de velas.

No entanto, nem sempre essa timidez acontece somente com os problemas. Problemas tímidos são parte do nosso cotidiano e temos mais familiaridade com eles. Agora, e quando não são os problemas que se escondem na presença de outras pessoas? E quando são habilidades e qualidades que se escondem no exato momento em que se tem que apresentá-las? Aí a vergonha é maior ainda.

- Então… no seu CV eu vejo que você tem boa articulação pra comunicação verbal…

- Bom… é… é que… bom… não sei bem… é que eu não entendi. Pode repetir?

Acho que é pior, né? E como consertar isso? Não sei. Não é como um carro ou computador. Existe um mecânico para esses problemas humanos? Ah é! Não adianta. Se houver ou houvesse uma oficina mecânica para humanos, lá tudo funcionaria.

Pra ilustrar tudo, olhe um típico caso desses mostrado nesse célebre desenho animado.

Esse também é um #postdado com tema sugerido por comentário pelo Herbert Sulivann, que na verdade é o RR, meu companheiro de batalhas na colmeia. Falta pouco pra acabar a campanha… Inté a próxima!

O Sonho do Primeiro Carro

Tuesday, July 1st, 2008

audi-a4-2008.jpg- Acho que hoje comprarei um carro.

- Bacana. Quer que eu vá contigo?

- Não. É rapidinho. Vou de ônibus…

- Tá certo. Depois a gente se fala então.

***

“Acho que é ali… Isso! É ali mesmo.”

- Moça, dá o sinal pra mim, por favor?

- Claro…

***

- Bom dia! Eu quero comprar um carro.

- Certo. Já tem algum modelo em mente?

- Não… Gosto daquele tipo ali, ó…

- Qual? Aquele?

- É. Por quê? É muito caro?

- O caro é muito relativo, sabia? Depende muito…

- Depende do que?

- De sua renda.

- Ah! Entendi… Quanto precisa?

- Não sei bem… Melhor você me dizer quanto ganha.

- Mas isso é meio confidencial, né?

- Eu sei, mas de qualquer forma, se você comprar o carro terá que comprovar sua renda, entende?

- Sim. Entendo.

- Então?

- Bom. Meu salário é de estagiário, sabe?

- Hummm… Sei. Mas quanto?

- 600 por mês.

- Quanto???

- 600… mas tem benefício, sabe? Vale transporte. Vale refeição.

- Ah! Agora sim. Vamos dar uma olhada no carro então.

***

- Gostei heim…

- Gostou né! Não tem como não gostar…

- Pois é. Mas e aí? Quero levar… Como podemos fazer?

- Bom, com essa renda comprovada, consigo fazer pra você em 120 parcelas de 550.

- Hummm… 10 anos então.

- Isso, mas se quiser com vidro elétrico posso fazer 599.

- Oba! Vou levar. Pode embrulhar… Quer dizer… Pode trazer a chave.

***

“Oba! Tenho um carro. Agora vou pra casa e descansar um pouco.”

“120 vezes de 599. Eu ganho 600, então dá pra pagar.”

“Peraí… Mas e as dívidas que já tenho? E as contas que pago? E a gasolina!!!?”

“600 menos 599… Sobra só um mísero real!!! Meu Deus! O que foi que eu fiz?”

***

corvette-dentro-de-casa.JPG- Olha! Que carro legal! É seu?

- Caceta! O que foi que eu fiz? Eu comprei essa m*rda e não tenho dinheiro pra pagar…

- Relaxa e estaciona aqui na garagem.

- Mas mãe… Você não tá entendendo… É caro. Como assim?

- Ah. Relaxa e estaciona ele ali do lado do banheiro.

- Banheiro? O que o banheiro tá fazendo aqui fora?

- Menino, o que você tem hoje? Para com isso, estaciona o carro ao lado do banheiro e vai vestir uma calça… Onde já se viu você andando por aí sem calças!

“Meu Deus! Eu to sem calça… Fui comprar um carro que não posso pagar e sem calças!!! Não é possível! Onde eu to com a cabeça. Minha mãe tá no banheiro que agora fica na garagem e… Opa!!! Essa casa não é a minha… Que tá acontecendo? Que tá acon…”

***

- Acorda moleque! Acorda logo!!! Não vou falar outra vez… vai chegar atrasado no trabalho de novo.

- Hã? O que foi? Hã? Cadê meu carro?

- Que carro, menino? Do que você tá falando?

- Meu carro mãe, eu estacionei do lado do banheiro…

dormindo.jpg- Carro? Do lado do banheiro? Menino… acorda! Você tava sonhando…

- Como é que… Não tem carro?

- Não filho. Você tava sonhando…

- Ufa! Não era sonho não mãe. Era um pesadelo, e dos bons.

Adicionar artigo ao blinklist Adicionar aos Favoritos BlogBlogs Adicionar artigo ao Del.icio.us Adicionar artigo ao Digg! Adicionar artigo ao DiHitt Adicionar artigo ao Eu Curti Adicionar artigo ao Rec6 Adicionar artigo ao reddit Adicionar artigo ao Slashdot Adicionar site ao Stumble Adicionar aos Favoritos Technorati Sabedorize esta not¿ia no WebSapiens

Quer ter estes botões no seu site? Acesse

Aprendendo a Ler

Friday, April 25th, 2008

- Vi-la-ma-ri-a-na… San-ta-cruz… Pa-rra-i-sso… Vai mais devagar, paiê! Não consigo ler assim.

placa.jpg- Tá bom… mas é Paraíso, filho. Tem um “R” e um “S” só…

- Ah é! Tinha esquecido…

- Pois é.

- Pra-ca-da-se…

- Praça da Sé!

- Hummm… Ter-mi-nal-ban-dei-ra…

- Boa!

- Com ônibus é mais difícil… Eles se mexem também.

- É sim, pois então leia as placas.

- Pai, ali ó… que letra é aquela?

- Ah! Ali é “W”, você vai aprender um dia. Tá escrito “Washington Luis”.

- Difícil né?

- É sim. Mas calma que você aprende…

- Legal. Ô paiê! Por que quando agente aprende a ler não consegue parar mais?

- Ah filho, isso é normal. Desde que eu aprendi, nunca mais consegui olhar pras letras sem lê-las. Quando aprendemos, não dá pra esquecer. É como andar de bicicleta…

- Hummm. Mas eu ainda não sei andar de bicicleta, só com rodinha.

- Papai ensina. Pode deixar.

***

- La-va-ra-pi-do… Pan-di-fi-ca-do-ra… O pai! O que é pandificadora?

- Não é pandificadora, é panificadora, e é o mesmo que padaria.

crianca_no_banco_de_tras.gif- Ahhh… Então vou continuar chamando de padaria, é mais fácil.

- Certo.

- A-e-ro-por-to… Olha, consegui essa! Es-ta-qui-o-na-me… Ihhh, perdi esse.

- Estacionamento, filhão. O “C”, antes do “E” e do “I” muda, lembra?

- É mesmo!

- Fabinho, você não fica enjoado quando lê dentro do carro? Quando eu era pequeno, ficava muito fácil quando lia em movimento.

- Então pai… eu tô enjoado desde que perguntei se quando agente aprendia a ler, não dava mais pra parar…

- Ai p*rra! Por que não me falou nada? Calma que vamos parar e…

E já era muito tarde.

Vende-se Fusca

Tuesday, February 5th, 2008

Adoro o povo brasileiro. É bem verdade que adoro sentar e observar, pois o contato em demasia com alguns carece irremediavelmente de ótimo espírito esportivo. Agora, observar é bom demais.

É bom no sentido de que as pessoas não temem o ridículo que alguns esnobes apontam com certo nojo. Isso eu acho que é uma bela qualidade no sentido de que, no dia em que tivermos mais educação para todos, esse diferencial se tornará um grande propulsor para o sucesso da rapaziada tupiniquim.

Aqui, quando se anda na rua se encontra de tudo. O mínimo de atenção e pronto. Tá lá algo hilariante sobre o que poderemos falar e rir. É certo que em muitas oportunidades acabamos por rir de algo politicamente incorreto como da ignorância de alguma pessoa, mas aí que entra a irreverência do povo de que falei anteriormente. O cara anuncia algo sem a menor preocupação de estar escrito de forma correta ou não. Ele quer vender e pondo final. Não importa de o Sr. Aurélio e o Sr. Houaiss assinam embaixo, o que vale nesse caso é se o receptor da informação entendeu, e podem crer quando digo que ele entende bem.

Atenção publicitários! Em campanha de venda de automóveis vai aqui minha sugestão para abordagem no brainstorm de sua agência:

“VENDE-CE EÇA COIZA. 500 PILA”

E fecha a conta, passa a régua e pronto! Fusquinha sem nenhuma atrativo, com um total de três cores e muita massa para fechar buraco de ferrugem, cordinha segurando a tampa do motor e “rugido” da máquina parecendo pigarro de fumante, porém com um diferencial escancarado, o anúncio!

fusca01.jpg

Sabem o que acontece? O cara de fato não sabe escrever direito. Contudo, sua despreocupação com isso fez da venda de seu carro algo inesquecível pra mim e para muitos outros que leram.

No atual momento eu não tenho nenhum carro, mas não, não vou comprar o fusquinha. Apesar do papel pendurado do lado de dentro do vidro ter sido bastante divertido de ler, ainda não considero o produto comprável, por assim dizer. Agora convenhamos, que essa irreverência e despreocupação serão sempre bastante úteis pra ele, isso serão. E no dia em que tudo estiver melhorando por aqui, teremos esse empurrão a mais para a subida.

Bora Brasil! É só uma questão de politização do povo e vontade de fazer com que tudo aconteça por aqui. Povo politizado não vota errado. Povo que vota certo se torna educado. Povo educado escreve certo e arranja outros pontos bons pra dedicar sua criatividade, bom humor e talento. Querem apostar? Eu to dentro.

Motoboys vs Todos – parte II

Saturday, January 26th, 2008

Essa foi uma performance do ator Marco Luque no Programa do Jô.

A personagem é chamada de Jacksonfive, um motoboy bem típico que fala sobre os motoristas terem que “engoli-los”. Bacana e ilustra bem a postagem anterior que fiz, “Paz no Trânsito – Motoboys vs Todos“.

Confiram e divirtam-se. O cara é bão!

Paz no Trânsito – Motoboys vs. Todos

Wednesday, January 16th, 2008

paznotransito.jpgA educação no trânsito paulistano piora sensivelmente a cada dia. Em Sampa estamos cada dia mais expostos a isso e rendidos à falta de educação dos motoristas e especialmente de boa parte dos motociclistas. Não quero aqui generalizar de forma alguma essa classe de trabalhadores, muito menos minimizar o perigo real que passam no cotidiano já bem complicado. O que não entendo é desde quando melhorar a segurança implica em agredir alguém ou danificar um bem alheio. Castigo? Pelo que? Por errar sem intenção?

Quem sabe ajudaria os chamados motoboys, mais prudência no trânsito. Alguém aqui já guiou um automóvel na marginal Tietê ou Pinheiros? Lá sim vemos constantemente exemplos de imprudência e falta de cuidado com a própria segurança. Motoristas de carro também erram, e por isso que um motociclista tem que ter atenção redobrada e constante. Erros acontecem, meus caros. De ambos os lados, por sinal. O problema é que um veículo é maior que o outro, e infelizmente o maior prejudicado será sempre o menor.

Ao invés dessa classe usar a união para algo útil, utiliza para quando existir um acidente, unirem-se e agredirem alguém que nem sempre tem culpa. Quebram carros, e batem em pessoas. Sem falar em possíveis extorsões que já vi acontecer. É lastimável.

Sei que podem estar a pensar que os outros motoristas devem redobrar também sua atenção. Com isso digo que, todos têm que fazer isso quando se trata de vidas, tanto as suas quanto as alheias. E agressões físicas ou verbais só gerarão medo e raiva, nunca respeito, que é exatamente o que importa.

Agora citarei algumas regras para que os motoristas de carros consigam se precaver contra aos ataques de “alguns” dos motoqueiros.

- Não ultrapasse com um motoboy a menos de 500 metros de distância;
- Jamais dê seta quando um motoboy estiver perto;
- Não mude de faixa com um motoboy próximo, mesmo que para isso perca a sua saída e tenha que andar mais 20 quilômetros até o próximo retorno;
- Não importa se deu seta antes de trocar de faixa, o motoboy não tem como adivinhar que aquela luz amarelinha piscando quer dizer que você insanamente ousará cruzar a sua frente;
- Não revide uma ofensa se um motoboy te xingar. Isso é a atitude mais branda que ele conseguirá ter perante a ameaça de morte que causou a ele;
- Quando estiver dirigindo, preste mais atenção nos motoboys do que na sua própria segurança. Eles são carentes e gostam de atenção;
- Se você errar no trânsito e fechar um motoboy, assuma a culpa incondicionalmente. Se possível dê algum dinheiro pra ele se acalmar;
- Se um motoboy errar, a culpa é sua. Sempre! Então assuma e lhe dê algum dinheiro;
- Motoboys não erram, entenda isso de uma vez por todas e lhe ofereça algum dinheiro;
- Assuma mais essa: Motoboys sempre são educados, você é quem os tira do sério;
- Se um motoboy chutar seu retrovisor, tudo bem. Compre outro depois e lhe ofereça algum dinheiro para os cuidados médicos com o pé;
- Se houver colisão com um motoboy, deve-se parar e oferecer-se para cobrir os gastos com médico e o prejuízo com a moto, e mais algum pelo abalo psicológico.
- E por fim, um lembrete: Motoboys nunca estão sozinhos.

Sempre enfatizando que não quero generalizar, mas os bons motociclistas sabem que a maioria de sua classe não tem um pingo de educação e respeito. A paz no trânsito só será atingida com algum diálogo entre os seres humanos. Sabiam que temos esse dom especialíssimo? O de nos comunicar pacificamente? Pois é… vivendo e aprendendo.

(podem começar os ataques agora)

 

Obrigado por Roubar-me

Monday, December 3rd, 2007

O mecânico Daniel Benite de 22 anos, após 40 dias que seu carro, um chevette ano 86, fora roubado, teve uma grata surpresa. O automóvel foi encontrado, e olhem que isso já seria muito bom, só que tem mais. Ele retornou com vidros escuros, novo motor e bancos, e por fim, rodas e volante esportivos. Todo reformado.

 

chevette_roubado.jpg

Com isso, Feliz Natal pro nosso Daniel, que ficou pouco mais de um mês sem carro, porém deixou de gastar um bom dinheiro com uma possível reforma. Deve estar bem feliz, pois as esperanças já deviam ser poucas.

Aliás, se fosse garantido, eu gostaria de ter alguns itens meus roubados. Todavia, esse tipo de coisa não acontece (quase nunca). Já tive um carro roubado há mais de um ano. Ainda não apareceu, e estou só esperando, pois se formos seguir a linha do chevette, esse carro, uma Elba 93, voltaria já um Audi, quem sabe. Seria algo emocionante a polícia ligando e dizendo:

- Encontramos seu carro.

- É? O que sobrou dele?

- Na verdade o ladrão o transformou num Audi, que por direito agora é seu!

Quem não gostaria? Contudo, acho melhor eu, mesmo que momentaneamente, conformar-me com os coletivos, afinal, com eles não preciso andar (muito).

Fonte e imagem: G1