Ano-Novo, Vida Nova no Bar do Seu Milton
Monday, January 12th, 2009- Faaala Seu Milton!!! Como é que tá essa força toda?
- Tudo certo Derba. E contigo? Por onde andou nesse final de ano?
- Tava na casa da sogra no litoral…
Aderbal é cliente assíduo do Bar do Seu Milton. Difícil estar lá e não encontrá-lo. Seu Milton até sentia falta da presença do “Derba”, afinal, quantas foram as vezes em que não ouvira os lamentos da vida de casado, especialmente quando a sogra estava envolvida. De vez em quando ele até ficava devendo alguma coisa, mas cedo ou tarde acertava suas contas. Enrolado o Derba.
Seu Milton sabia bem que, se o Derba passou as festas de fim de ano na casa da sogra, isso representava pelo menos um mês de lamentações e maldições lançadas para “a sogra”. Ele nunca dizia o nome dela. Na verdade, não se sabe se o Derba tem tal conhecimento.
- Fim de ano com a sogrona, heim Derba! Tá amolecendo rapaz?
- Nada! É uma técnica pra tornar a vida mais otimista.
- Como assim?
- Eu explico sem problemas…
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- Menino. Busca um chope pro Derba que essa eu quero ouvir.
Enquanto o “Menino” foi buscar o chope do Derba, Seu Milton tirou o paninho do ombro e começou a secar copos secos atrás do balcão demonstrando ansiedade pra escutar a tal teoria.
- Desembucha rapaz!
- Então Seu Milton. O senhor sabe bem que minha sogra é a enviada do capeta na terra, não sabe?
- Saber eu não sei… Mas pelo que você diz, deve de ser mesmo.
- Pois é. Ela ficou atentando minha mulher dezembro inteiro pra passarmos o fim de ano na casa dela em São Vicente. Casa boa, Seu Milton. Muito mais do que aquela megera merece…
- Hummm.
- Desce outro chopinho por favor, Seu Milton!
- Menino! Mais um pra cá…
- Continuando… Eu gosto da casa, mas só se ela não estivesse dentro dela. Não queria ir, mas a patroa insistia muito. Era um tal de “não quero ficar sozinha” pra cá, ou “você odeia minha família” pra lá. Eu já estava a ponto de admitir que odeio realmente a família dela quando pensei… Por que não?
- É mesmo?
- É Seu Milton. O ano novo sempre vem comigo bêbado cercado de amigos. Sempre acordo no 1º de Janeiro bem e feliz pelo que foi o 31 de Dezembro. Mas e o resto do ano? Sempre cheio de sacrifícios. Sempre muito complicado.
- Pois é.
- Então. Pensei comigo: “E se eu fizer justamente o contrário? E se eu tiver uma passagem de m*rda!”
- Acho que to entendendo.
- É isso, Seu Milton. Passei a virada com a lazarenta da minha sogra pra isso. Tudo é uma questão de tática. Esse ano a coisa anda. To jogando na loteria, apostando nos cavalos, Jogo do Bicho. Tudo… Uma hora a coisa toda funciona.
- Pois é… Loteria, né?
- Isso!
- Cavalos e Jogo do Bicho, né?
- Também são opções boas!
- Legal. E essa conta de mais de 200 pilas aberta aqui no meu bar! Tá de sacanagem, né Derba!? Pois com a crise econômica detonando tudo, vamos suspender seus créditos por hora. Até você ganhar no Bicho e me pagar tudinho que deve. Pode ser?
- Pô Seu Milton! Não sacaneia também, né?
- Não… vou até dar um dica: Joga no burro! Tem muito a ver com esse novo momento que você tá passando. Menino! Suspende o chope do Derba porque ele tem que guardar a grana pra ficar rico.
- Puts. Sabe de quem é a culpa? Da desgraçada da minha sogra! Qualquer dia eu mato a filha duma…





- Mizinfia vai ter que fazer um banho com fôia de urtiga, e prifume Chanel número 5…
- Tá faltando fé, mizinfia… e se faltá fé, suncê num consegue nada!










