Posts Tagged ‘cotidiano’

O Estagiário Robson em “Desliga você…”

Wednesday, October 1st, 2008

Mais um dia na empresa onde Robson, o estagiário, trabalha. Com incrível habilidade para enrolar a todos, Robson está ao telefone há mais de meia hora com sua namorada em um papo dengoso, com um sorrisinho sonhador, e isso tudo enquanto faz desenhos no bloco de rascunhos.

- Acho que tenho que desligar, lindinha.

- Você nem me ama mais…

- Amo sim!

- Então prova.

- O que você quer de prova? Pode falar que eu faço…

- Hummm… Você pode deixar de ir no jogo amanhã pra gente passear, né?

- O quê??? Deixar de ir no jogo do Timão? Mas meu amor, isso dá um azar danado, você sabe disso.

- Tá vendo? Tá vendo? Não me ama mais…

- Ah vai… escolhe outra coisa. Qualquer coisa…

- Tsc. Não sei…

- Sabe sim… Pode falar. Quer um presente? Quer que eu te leve em algum lugar?

- Isso! Já sei… Meu irmão vai no jogo domingo e eu nunca fui. Me leva?

- No jogo do São Paulo? Nunca! Jamais…

- Mas… Mas… Não me ama mesmo.

- Amo sim! Mas amor da minha vida, meu chefe tá me olhando esquisito, acho melhor eu desligar.

- Não provou e ainda quer desligar. UNF!

- Não… você é quem vai desligar.

- Não. Eu não. Você desliga. Pode ir trabalhar…

- Mas eu vou ficar com saudades.

- Eu também.

- Então desliga, vai.

- Não, desliga você, amorzinho…

- Vai… desliga. Meu chefe tá vindo.

***

- P*rra Robson! Uma hora no telefone! Você já fica o dia todo batendo papo na internet.

- Desculpa chefe, já vou desligar.

***

- Vai… desliga lindinha. Meu chefe tá aqui e tá bravo.

- Eu não… Desliga você primeiro, não tem problema.

- Não vou desligar e…

Tu Tu Tu Tu Tu…

***

- Não chefe! Ela vai achar que…

- Não me interessa! Já falei pra desligar essa porcaria! Vem logo moleque!

- Pô chefe… Ela vai me matar porque eu que desliguei primeiro.

Domingo a Dois

Wednesday, September 24th, 2008

Num domingo qualquer e em uma residência qualquer…

- Eu faço o almoço e você lava a louça.

- Tsc!

- Pô… ainda vai reclamar?

- Tsc… não. Não vou reclamar. Mas você também não vai me pedir pra gostar, vai?

- Vou sim! To fazendo um almoço todo especial e você aí de má vontade. Só quer levantar, comer e deitar. Folgado! Quer trocar? Você faz o almoço e eu…

- Não. Isso não.

- Então espertão, me ajuda ou não tem almoço.

- Tsc. Tá bom. Tá bom.

- Assim também não quero.

- Ai meu Deus do céu…

E sai chorando…

Na porta do quarto…

- Sai daí, vai meu amor…

- Nããão. Você… Você… Não tem consideração! Eu trabalho igual a você e ainda tenho que cozinhar, passar roupa…

- Calma. Fica calma… Eu vou te ajudar.

- Mas é só porque eu to aqui chorando… Não quero mais comer.

- Tá bom. Faz o seguinte: Fica aí e se acalma que eu vou fazer uma surpresa pra você.

- Não quero! Me deixa em paz!

Agora dentro do quarto…

- Amor… Acorda… Vai, acorda…

- Hum. O que você quer? Não tem roupa limpa? Hã? Hã? Tsc.

- Tem sim. Tem tudo. Quero que você veja uma coisa.

- Não quero. Só quero ficar aqui…

- Por favor. Vem… Você vai gostar. Se não gostar eu juro que não te incomodo mais.

- Unf!

- Vamos? Dá a mão…

- Deixa que eu vou sozinha.

Na cozinha…

- Tcharãm!

- Nossa! O que é isso?

- Vi na internet. Frango com molho de laranja. Ali tem creme de milho com queijo. Ah! Ali é arroz à grega e ali uma farofinha bem mineira que minha mãe fazia. Liguei pra ela.

- Huuummm… Parece bom. Que lindo!

- Vamos comer? Ah! E a louça é minha. Hoje você descansa… só no final da tarde que vamos sair e passear um pouco.

- Oba! Vamos sim. Obrigada amor!

- Limpei minha barra?

- Limpou sim, seu cachorro!

Almoçando…

- Amor…

- Pode falar.

- Você não vai comer?

- To aqui só olhando você comer. Por quê? Não está bom?

- É que acho que você regulou mal a temperatura do forno. Se você põe muito alta, ele só queima por fora, mas por dentro…

- Xiiii… Deixe-me ver.

- Tá cru.

- Arrrgh! Tá mesmo… Que vexame.

- Comida chinesa?

- Comida chinesa.

- Liga lá então.

- Tsc! Odeio ligar… Liga você.

- Ah não! Você preparou tudo e errou, agora você liga.

- Mas eu preciso limpar tudo isso… liga lá vai?

- Pombas! Você falou que era o meu dia. Que hoje eu iria descansar.

- Mas agora mudou tudo. Tenho que aprender a lidar com a frustração…

- Que desculpinha heim… Não quero mais. Vou dormir. Tchau!

- Ai meu Deus…

A Mariana, o Guto e a Vá

Saturday, September 6th, 2008

- Vai pai, empresta essa grana pra mim…

- Empresta? E vai me devolver quando?

- Tsc! Desse jeito eu não consigo fazer nada.

- Ah! Mas se for por não ter o que fazer, eu arrumo algo pra você. Sua mãe reclamou que não arruma seu quarto há mais de um mês…

- Mas isso não é algo pra fazer… é tortura!

- Tortura? Tortura é passar pela porta e ver aquela bagunça! E o cheiro? Tem bicho morto lá, não tem?

***

- Pô mãe… o pai não quer me emprestar uma grana. Será que você não tem aí?

- Tem o que?

- Uma grana…

- Grana? Grana? Você sabe o quanto que eu e o seu pai suamos pra ter essa “grana”? Sabe? E o bonito só quer saber de andar por aí com essas piranhazinhas que…

- Pára mãe… deixa quieto.

- Deixa quieto? Mas o que isso quer dizer?

***

- Manhê! Vou sair com minhas amigas. Depois a Vá pode dormir aqui?

- Vai sair? Pra onde? Quem é Vá?

- A Vá, manhê… estuda comigo.

- Vá… Vamos começar por aí. Qual é o nome dela?

- Vá, ué…

- Vá o que menina? Valquíria? Valéria?

- Não mãe… é Vá de vaca. O nome dela é Julia.

- Vaca!!? O que é isso menina? Não vou deixar você sair com nenhuma vaca! Muito menos trazer uma vaca pra dormir aqui.

- Ai manhê. Você também…

- Eu o que, menina? Por que é vaca? Ela come capim? Dá leite? Heim?

- Presta atenção. A Vá é vaca porque ela tinha uma roupa que parecia uma vaquinha, e ela usava sempre e…

- Sei. Sei.

- E então?

- Tá bom. Mas vou ficar de olho na vaca… quer dizer, na Vá… ou na Juliana.

- É Julia.

***

- Ah! Quer dizer então que você não me empresta uma grana e deixa a Mariana fazer o que quiser…

- Sua irmã arruma o quarto dela, e tem outra, você já é bem grandinho pra conseguir sua própria “grana”.

- Tsc!

- Não muxoxa pra mim, moleque!

- Vou pedir pro pai.

- Pede ué…

***

- Ô pai! Pô meu! Deixa eu sair também… Olha, eu arrumo o quarto antes.

- Você pode sair… Não disse que não podia.

- Oba! Então me empresta a grana.

- Isso não. Você já é bem grandinho e não pensa em trabalhar. Tá na época de pensar em faculdade e só quer saber de sair…

- Tsc!

- Não muxoxa pra mim, moleque!

***

- Ô paizinho, deixa o Guto sair também, vai…

- Você ajudando o seu irmão??? O que tá acontecendo?

- Nada, pai. É que ele ficou triste, e tem também a Vá que…

- Vá? Quem é Vá?

- Minha amiga, pai. E nem me pergunte sobre o apelido.

- Tá. Mas o que tem a Vá com a essa história?

- É… nada não. Me confundi. Mas então, deixa o Guto sair, pai. Nós vamos até no mesmo lugar hoje.

- Sei não…

- Por favor, paiê.

- Tá bom. Chama ele aqui, mas com uma condição, você vai ficar de olho e me dizer o que seu irmão anda aprontando por aí, combinados?

- Você é lindão, sabia?! Dá um beijão paizão!

***

- Estranha essa conversa da Mariana ajudando o Guto… Muito estranha.

- Nem me fale! Os finais de semana me matam. E esses dois tão cada vez mais difíceis.

- É mesmo, mas eu tô com uma pulga atrás da orelha por causa dessa parceria deles. Eles separados já eram difíceis, agora juntos…

- Ah! Mas isso é bom. Ao menos acabam com as brigas.

- Sei não. As brigas já tínhamos prática em resolver…

***

- Me deve mais uma, cabeção! Quanto ele te deu?

- Deu 50! Tó seus 25. Tudo certo?

- Tudo, mas por favor… você e a Vá se comportem. Se o pai e mãe pegarem vocês, sabe o que acontece, né?

- Sei sim, mas não vão pegar, pode ficar tranqüila. Ainda bem que você é amiga da Vá… acho que tô gostando dela de verdade, e ela dormir aqui vai ser muito bom!

- Que bonitinhos… Ah! mas ela dorme no meu quarto. Só pra garantir…

- Tá bom… Tá bom…

——-

Penúltimo #postdado, tá pensando o quê!? Demorou mas já tá acabando, meus caros leitores tupiniquins. Esse foi uma sugestão da Mafê via twitter (@mellancia), aliás, o segundo dela. Mafê pediu que eu escrevesse sobre os adolescentes, e até parecia que ela vinha tendo alguns problemas com pessoas dessa faixa etária… será?

:P

A Pizzaria do Gumercindo

Thursday, August 28th, 2008

- Alô?

- Alô. Sim, pois não?

- Eu quero falar com o Gumercindo… o Gumercindo taí???

- Olha rapá, o Gumercindo deu uma saída, volta só pela tarde. Aqui é Joel, irmão dele. Quem tá falando?

- Bom… se não é o Gumercindo, não vou falar quem sou…

- Mas quem é que tá falando, o que você quer?

- Tá bom vai… Quero uma pizza de calabresa e uma toscana? Tem toscana aí?

- E aqui tem pizza? Você tá de brincadeira comigo? Eu sou trabalhador e não tenho tempo pra essas coisas de trote, seu desocupado filoduma! Vem aqui que eu lhe parto a cara, seu abusado!

- Tsc! Mal educado… vou comprar na concorrência! Mesmo assim vou querer falar com o Gumercindo. Quero reclamar de você. Cadê ele?

- Você me respeite! Mas que safado, vejam só.

Ele tá é na sua casa com a sua mulher, seu veado.

- Ah! Então ele tá aqui…? Espera um pouquinho na linha. Vou lá falar com ele…

Um minuto depois…

- Hei! Tá querendo me enganar? Ele não tá aqui… Cadê o Gumercindo…?

- Já disse que saiu. O senhor faça-me o favor de ligar pela tarde. Agora me deixe trabalhar.

- Tá bom, eu deixo. Mas a pizza chega em quanto tempo? Aí tem aquelas promoções dos 28 minutos???

- Essa promoção é de esfiha, idiota! Ah, faça-me o favor…

- Ah! Entendi… Então quero dez de carne e cinco de queijo, por favor!

- Você é mesmo um saf…

- E uma coca também, por gentileza.

- Safado! Safado! O que você quer? Heim? O que você quer? Desavergonhado!!!

- Tsc. Nunca mais ligo aí. Vocês não sabem atender o cliente.

- Quer me enlouquecer? Quer? É isso? Safado…

- Sabe qual é o problema do mundo? Pessoas com mania de perseguição iguais a você… Vamos encerrar esse papo assim que você me chamar o Gumercindo.

tu tu tu tu… (finalmente)

Calos nos Cotovelos

Wednesday, August 20th, 2008

- Bobagem! Isso é coisa de fresco…

Disse Valtão após um convite pra uma festa na casa de um amigo. Valtão é do tipo que não gosta de modernidades. “Que diabos é isso?”, disse ele após ouvir música eletrônica no carro de um amigo. “Se não desligar, eu desço!”. E descia mesmo. Pro Valtão, música mesmo não dá dinheiro, então não seria possível ouvir em rádios ou mesmo se encontrar a venda em lojas.

- Meu negócio é boteco, rapaz!

- Pô Valtão! Vai ser divertido…

- Boteco! Quer sair? Boteco do Miranda. É pra lá que eu vou.

- Aquele lugar fede, cara.

- Não interessa! Aqui tem calo no cotovelo de apoiar em balcão de bar. Calo no cotovelo!

E fez todos olharem pra ele e até colocarem a mão em seu cotovelo.

- Isso é nojento, Valtão! Deve ter resto de comida aí…

- Tremoço! Cerveja e tremoço.

- Ah vai… Me diga então que não curte uma batatinha frita.

- Tremoço! E só tremoço!

- Meu Senhor…

Valtão, quando saia do bar bêbado, ficava na rua de sua casa olhando o movimento. Não gostava dos carros passando com som alto e ruim. Muxoxava e desaprovava com a cabeça. Ficava ele e o guarda da rua, o Jorjão, falando sobre a integridade moral dos moradores da rua.

- Biscate! É isso que ela é, Jorjão.

- É…

- Já deu em cima de mim, mas não gosto de mulher assim…

- É. Eu sei.

- Aquele ali enche o carro de mulher todo dia, mas acho mesmo é que ele é veado!

- Se você tá falando…

- Pois é.

E ia pra casa dormir todo dia, no mesmo quarto de dez anos atrás, com um pôster de banda que nem ouve mais, com a coleção de carrinhos de brinquedo que nunca mais fora renovada, e com os mesmo lençóis lavados e esticados pela sua mãe.

Valtão preserva os costumes antigos. Diz ele que nasceu na época errada. É um cara feliz do jeito dele. Nunca sai. Valtão gosta mesmo é de boteco e tem calos nos cotovelos.

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Saudades de Pai

Sunday, August 10th, 2008

- Jorjão, será que você pode fazer uma horinha a mais hoje? Tem uma entrega que não dá pra deixar amanhã e…

- Tá bom chefia! Deixa comigo.

3 horas depois…

- Tô indo chefe.

- Obrigado por ter ficado, Jorjão! Não quer ir prum chopinho com a moçada?

- Hoje não, Almeida. To bem cansado e tem uma semana que não vejo meu moleque. Chego e ele tá sempre na cama.

- Certo… Fica pra outra então. Obrigado de novo!

***

- Oi amor! Deixei seu prato pronto no microondas… Quer que eu esquente?

- Não precisa… Eu faço. Obrigado. Tá tudo bem?

- Tá sim… To meio cansada, mas tudo bem.

- Então vai dormir… eu já vou. O Joca tá bem?

- Tá sim.

- E na escola?

- Tudo bem também. Hoje ele brigou com um menino e me chamaram lá… Mas normal.

- Normal? Mas o que houve? O que ele fez?

- Futebol, Jorge. Tá tudo bem. Eu resolvo.

- Unf! E as notas?

- Tão boas… mas ele é preguiçoso. Você conhece seu filho, né?

- É… conheço.

- Vou subir… dá um beijo.

***

- Vai pra fora, Shaquille. Anda! Sem corpo mole cachorro preguiçoso…

- Deixa que eu ajudo, pai.

- Joca! Tá acordado, menino?

- To pai. É que eu preciso mostrar uma coisa pra você…

- Ah é? O que?

- É o jogo novo do vídeo-game! Muito louco pai!

- Ah… E é jogo do que?

- De futebol.

- Que legal! E…?

- E eu quero…

- Hummm… sei. Isso depois da briga na escola?

- Ah pai. Mas ele me deu um carrinho e…

- Não pode mesmo assim.

- Ah paiê!

- Pois é. E o jogo vai ficar pra depois que eu ver suas notas desse bimestre.

- Tsc… Às vezes acho que você não gosta de mim! Vou dormir…

- Tá bom…

***

Ai-ai. Tava com saudades!

E enfim, foi dormir sorridente e feliz.

>>>UMA HOMENAGEM DO dT AOS PAPAIS DE TODO O MUNDO! FELIZ DIAS DOS PAIS!!!<<<
(e em especial pro meu pai! Eu poderia escolher entre esse texto e um carro novo, mas achei o texto mais apropriado… :P )

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Dormindo no Banheiro

Tuesday, October 9th, 2007

privada.jpgTem dia (especialmente as segundas-feiras), que durante o expediente dá tanto sono que achamos que a vida é injusta e que se tivéssemos um reino, o trocaríamos por quatro ou cinco horinhas de sono: “Meu reino por uma cama!”, já diriam os sonolentos. Podem ser inúmeros os motivos desses sonos como, trabalho e balada, pra citar só dois dos mais comuns em nossas vidas. Enfim, independente do motivo, o que interessa no caso é o sono.

Eu, em um desses dias, me lembrei de amigos que diziam que tiram pequenos cochilos de 10 ou 15 minutinhos trancados no banheiro. Apesar de achar tal habilidade invejável, em conversa com uma amiga, tive que eliminar tal possibilidade devido ao meu terrível sono pesado.

Apesar da proposta do cochilo ser incrivelmente tentadora, desisti pois aconteceria fatalmente, com o sono que eu estava naquela ocasião em questão, um desastre só contornado com extrema habilidade. Como? Bom, se eu tirasse o cochilo naquela ocasião, aconteceria da seguinte forma: Eu apagaria me entregando totalmente a um delicioso sono, que nesse caso não importaria o local… rede, sofá, chão ou vaso sanitário. Só que tem um probleminha que algumas pessoas também têm, o ronco. Com todo esse cansaço eu começaria a roncar em grandes proporções. A porta não seria obstáculo a altura de impedir que o ruído se propagasse por todo o escritório, chamando a atenção desde a equipe de limpeza até a gerência. No primeiro momento, alguém viria até a porta e bateria nela… provavelmente algum amigo que tendo percebido o que acontecera, estaria tentando evitar o pior: uma punição. Ele certamente não conseguiria, mesmo depois do todos os “toc-tocs”. Mais gente se reuniria na porta do banheiro, e entre curiosos, gerentes e apertados para um xixizinho, todos começariam a se desesperar com a situação:

- Será que não é melhor arrombar?

- E se ele tiver apagado encostado na porta….?

- É verdade… Então vamos fazer mais barulho!

Enfim, eles conseguem! Percebem que o ronco cessa. Neste momento eu estaria lá, desesperado pensando no que seria melhor fazer? Se de repente passar mal seria uma boa pedida. Depois de consultar o relógio, eu estaria certo da desgraça, pois constataria que estava ali há mais de uma hora.

Tarde demais… a não ser que eu abra a porta, diga um “socorro” bem fraco e moribundo e assim, me atiraria sobre a primeira pessoa parada a frente, ou até a fantástica morena olhos d’água do departamento comercial que fora contratada recentemente. Uma loucura, se querem saber… Bom, isso não interessa agora, né? Continuando, depois de ser amparado, eu falaria com a mesma voz fraca que senti uma tontura, esclareceria que não tinha almoçado pois tinha muito trabalho e assim, quem sabe, eu teria a chance de ser digno da piedade e até admiração de todos. O gerente viria e me dispensaria, me aconselhando cama e talvez um médico, também dizendo que eu deveria “maneirar” no ritmo de trabalho.

Sonho meu? Pode até ser. Contudo, alguém tem opções melhores para tal situação?