Posts Tagged ‘Crônica’

Como esperar por uma Princesa

Tuesday, November 10th, 2009

É difícil demais esperar, e sei de gente que ganhou muita coisa na vida por ter essa sabedoria. A sabedoria da calma, de saber aguardar os melhores momentos. Eu não. Nunca fui bom nisso. Comigo é: Eu quero e tem que ser agora!

Eu achei que seria esse um defeito pra poucos, mas é o contrário. Hoje em dia, para um paulistano como sou, isso é normal. É dificílimo esperar o ônibus e toda a calma provocante do motorista. E a fila do banco? Será que aquela caixa que está conversando não sabe que só tenho mais quinze minutos pra ir a mais três bancos?! Absurdo! Outra coisa que me irrita é esperar pela pizza num sábado a noite. Cada moto que passa na porta de casa me faz levantar e eleva meus batimentos (sim, sou um gordinho).

Esperar é realmente maçante. E aí a gente reclama, né? Sempre a culpa é de alguém ou alguma coisa… Porém, quando temos a convicção que uma demora é inevitável, temos que tentar nos conformar. Fazer o que?

Dia desses, mais especificamente falando da madrugada do dia 7 para o dia 8 de novembro de 2009, estava eu de plantão num hospital.

Não, não sou médico.

Estava aguardando notícias sobre duas parentes minhas bem próximas. Uma era minha irmã mais nova, a outra minha sobrinha.

Quais problemas elas tinham?

Bom, na verdade não se tratavam de problemas. Minha irmã estava grávida e minha sobrinha iria nascer… é isso.

É uma ida ao hospital bem diferente, afinal, geralmente nessa situação estamos preocupados com coisa como, virando minha boca pra lá, doenças e acidentes. Só que aí o clima é outro. A ala de maternidade é diferente. Tem muita gente feliz e chorando com o corpo grudado no vidro do berçário. E foi assim que eu me distraí esperando a grande luta de minha irmã pra trazer sua filhinha ao mundo.

A sala de espera era bem em frente ao berçário. Ali eu podia optar em ver os familiares babões ou o filme ruim da madrugada. Preferi ver os familiares. E claro que não resisti e fui também olhar os recém nascidos ali, frágeis e quase sempre dorminhocos. Você olha pra essas crianças que acabaram de chegar e pensa, meus amigos. Pensa muito. O tempo todo. Pensa até na existência do homem. E quer saber, sensibilizável leitor, é ali que está o segredo. É dali que, uma vez bem criados, sairá a geração que finalmente vai dizer a que veio. É dali que o mundo pode mudar pra melhor, e não somente “evoluir”. Enfim, é nas crianças que temos que acreditar, pois nós adultos não temos mais salvação.

Continuando… depois de horas e mais horas, eu estava cansado por demais ainda na mesma sala de espera, só que eu lembrava que minha irmã se encontrava lá dentro há muito tempo tentando colocar sua filhotinha no mundo e não me sentia no direito de sentir cansaço. A manhã se aproximava e nada de minha pequenina sobrinha ajudar os outros bebês a iluminar o mundo. Ansiedade. Muita!

Se eu fosse um sábio que soubesse bem como controlar a ansiedade e esperar tranquilo, pensaria e deduziria que ela iria nascer em breve, e era só esperar mais um pouco. E assim foi. Ela veio. Ela, linda e pequenina já está entre nós. Quer saber, risonho leitor. Bons momentos assim não passam nunca. Vi minha sobrinha e fiquei feliz demais. Fiquei sem palavras. E assim foi.

E por falar em como eu fiquei. Eu fiquei com medo, afinal, que mundo cheio de preconceito, corrupção, violência e maldades aguarda a minha sobrinha? E depois sosseguei, sabem? Afinal, nem ela, nem meu filho e nem os outros pimpolhos podem temer a nada. Eles serão nossos heróis, e nem saberão disso.

Pequena Maria Clara, seja bem vinda a esse mundo! Ele é seu. Domine-o e faça dele melhor pra todos. Peça ajuda quando precisar e colo quando quiser chorar, mas não se assuste com o mundo feio. Se seus olhos forem iluminados como é sua presença, você sempre o verá pelo melhor lado. O lado que tem jeito.

Bem vinda, pequena princesa!

Preconceito é Preconceito!

Wednesday, May 20th, 2009

Todo e qualquer tipo de preconceito deve ser eliminado da existência humana. As maiores barbaridades feitas durante a história da humanidade envolveram preconceitos religiosos, raciais, sexuais ou semelhantes. É fato e não temos como negar.

Irracionalidade é o que em suma move o preconceito. Falta de compreensão e intolerância induzem pessoas a praticar atos ou mesmo tecer comentários injustos, infundados e moralmente maldosos.

Coisa pior do que preconceito? Não creio que exista. Qualquer outra maldade conhecida e frequentemente reconhecida como bárbara e desumana tem algum tipo de preconceito ou intolerância envolvida. É ou não é? Veja o exemplo das guerras no Oriente Médio, ou também as da África. Intolerâncias religiosas, políticas e históricas movem povos inteiros a se destruírem das formas mais violentas possíveis. Generalizam povos inteiros como se o ser humano fosse generalizável. Esses são casos bem frequentes em nossos jornais e noticiários, porém bem mais perto do que se imagina temos o preconceito em baixo de nossos narizes, e quem sabe inconscientemente correndo em nossas próprias veias. Uma auto-reflexão é necessária sempre, quase que em doses homeopáticas, para que possamos sempre evitar e limar esse mal que nos é sugerido pela sociedade em que vivemos.

Agora chego ao ponto que estava querendo. Além das formas de preconceitos infelizmente tradicionais que conhecemos bem, temos um em especial que notei e venho aqui clamar por justiça. Venho alertar ao povo brasileiro que se mova para que isso não ocorra em nossa sociedade já tão aflita pela violência e também pelo descaso de nossos governantes. Venho aqui interceder em nome do bolovo! Isso mesmo, caro amigo! Não podemos deixar que salgadinhos de botequim como a tradicional coxinha, ou mesmo risóles e bolinhos de carne possam ser tão cobiçados pelos frequentadores de bares e ditos botecos, e que o bolovo, que é bem semelhante a todos esses, seja discriminado pela sociedade como o salgado que não deve ser comido, e vez em quando nem deve ser nomeado. Hipocrisia! Pois se sabe muito bem que o bolovo é idêntico à coxinha, mas com a diferença somente no recheio.

Chega de hipocrisia e mais bolovo na mesa do brasileiro!

Mãe Joana e a Assistente Número Dois

Monday, April 27th, 2009

Dia corrido na tenda de Mãe Joana, a mãe de santo mais onisciente que o FBI em filmes de espionagem. Jozicléia, sua assistente número um, corre de um lado pro outro de forma desnorteada. É um dia especial na tenda… Mãe Joana finalmente e pra alegria de Jozicléia contratará sua assistente número dois. As outras que passaram pela tenda eram todas frilanci, como diria a própria mãe, e trabalhavam quando a demanda por demandas era grande demais, se é que me faço entender.

Mãe Joana nunca gostou das freelancers. Pra ela, boa mesmo era Jozicléia, que era comprometida com os trabalhos. Ela queria mesmo era outra Jozicléia…

- Jozicréia! Traiz um copo menina! Não si demora não!

- Tá aqui, mãezinha… Tá aqui.

- Ê Ê! Que diacho é isso dentro do copo?

- Suco de caju pra senhora se refrescar. Tá uma delícia!

- Oxi! E agora eu vô dá suco de caju pro santo?

- Ai… Era pro santo?

- Ô menina burra! Pega um copo com pinga. Daquela que eu trusse do Ceará.

- Sim senhora.

- Mas pode dexá o suco… Vai que o santo qué uma batida de caju. Aproveita e traiz uns gelinho e já manda entrá a primêra pra eu podê entrevistá…

- Sim senhora.

E Jozicléia, por ordem de chegada, ia mandando as candidatas entrarem.

- Ê Ê!

- “Ê” o que?

- Heim?

- A senhora disse “Ê Ê”… o que é isso?

- Oxi mizinfia… Se suncê num sabe, também não vô ficá aqui ixpricando… Jozicréia! Manda a próxima.

- Saravá mizinfia!

- Saravá Mãe Joana!

“Essa começô bem…” – pensou.

- Qual é o seu nome, mizinfia?

- Andréia.

- Tá bão… Brigada e pode i embora…

- Mas…

- Jozicréia! A próxima!!!

- Senta aí, mizinfia…

- Aqui?

- Não! Aqui no meu colo! Oxi…

- A tá. Melhor assim?

- Oxi! Sai do meu colo! Sai do meu colo! Diacho…

- Mas a senhora…

- Jozicréia!!! Manda a próxima e avisa que se alguma encostá ni mim vou fazê trabaio pra elas.

- Qual é o seu nome, criatura?

- Márcia… Tudo bem com a senhora?

- Tava. Pode saí.

- Mas por quê?

- Jozicréia!!! A próxima! E quem não começá o nome com jota, manda imbora… Só com jota de Mãe Joana…

- E suncê, cara de fuinha? Qual é o seu nome?

- Juliana.

- Ê Ê! Bom demais! E diz pra Mãe Joana, qual o patuá que suncê escolheu com a Jozicréia?

- Ah! Patuá né? Bom… Nenhum. To guardando dinheiro e…

- Jozicréia!!! A próxima! E se não comprar patuá já avisa que é mió nem entrá.

- Fala, coisa isquisita… Seu nome.

- Janiscleide.

- Ê Ê. E patuá? Dexa eu vê.

- Esse aqui, ó.

- Eita! O do Cabocro Zezé? Esse é dos bão. É forte!

- É… Adoro o Caboclo Zezé.

- Coisa boa mizinfia! Tá contratada.

- Eba! Vou adorar… Sou sua fã.

- Ê Ê. Suncê já fala com a Jozicréia pra ela te ensiná tudo…

- Ô Jozicréia!!! Vem aqui drento…

- Pode falar, mãezinha.

- A Janiscreide vai trabaiá nos trabaio com nóis agora! Dá o balde e os pano pra ela limpá tudo e insina as coisa pra ela.

- Sim senhora, mãezinha… Mas têm as outras ainda.

- Pode mandá as outra pra casa… e manda logo pruque tenho consulta daqui a poco. Vem a dona Laurinha. Ela tá muito deprimida. Prepara os patuá pra ela… Só os de cinquenta real pra cima.

- Sim senhora…

Mãe Joana Analisando a Concorrência

Friday, April 24th, 2009

Em tempos de crise, vale muito ser antenado. O negócio mesmo é fazer sua parte e ficar esperto pra o que os outros estão fazendo. A concorrência não perdoa. A concorrência atropela.

Mãe Joana é visionária. Ela não dá ponto sem nó jamais. Ela observa tudo, e convenhamos que com poderes iguais aos dela, isso é relativamente fácil. Basta uma pequena concentração e…

- Ê Ê! Jozicréia… Vai andá nas rua e olhá os poste.

- Heim?

- Ê Ê! Mizinfia tá moca? Eu mandei suncê andá e olhá os poste!

- Eu entendi, mãezinha… Mas pra que?

- Oxi mizinfia. Suncê tá lerda por demais hoje. Vai vê a concorrência.

- Ahhh. Entendi… Pensei que a senhora tava vendo isso na sua concentração de hoje.

- Se eu querê eu vejo… Mas se for assim suncê não tem o que fazê. Anda menina!

- To indo mãezinha… to indo.

Voltando ofegante e suada…

- Voltei mãezinha.

- Oxi… Pruquê demoro tanto?

- Mas…

- Anda! Mostra…

- Me deixa tomar um copo d’água antes?

- Que mané água que nada… Bora! Depois suncê bebe água.

- UNF!

- Mizinfia tá malcriada hoje! Vô cortá sua comissão nos patuá do Cabocro Zezé!

- Isso não mãezinha. Vamos lá… Na realidade só achei um.

- Ê Ê! Andô todo esse tempo e só achou um??? Suncê já foi meió, mizinfia…

- Acho que seus concorrentes não estão fazendo anúncio mesmo. E se a senhora quer saber, tô precisando de umas férias, sabe? Volto mais motivada e…

- Oxi… Férias?

- Ai. Deixa pra lá. A senhora quer ouvir o que eu consegui pegar?

- E fazê o que? Se só tem um, borá vê…

- É esse aqui ó… Tirei até foto.

- Ê Ê! Pai Guerrero do Xuxalá. O Rei da amarração!

- É mãezinha… forte né?

- Oxi se é… Deixa eu vê aqui a foto que suncê tiro.

- Olha mãezinha… Isso a gente nunca usou. Ele coloca a cara dele no anúncio.

- Ê Ê! Eu priciso conversá com ele… Rápido!

- Por que, mãezinha? Vai fazer um duelo de mandinga?

- Oxi mizinfia! Que negócio é esse de duelo de mandinga!? Eu vô é marcá um encontro pruquê o diacho do Pai Guerrero é danado de formoso! E outra coisa é que se ele é o rei da amarração, eu sô a rainha… e isso da samba mizinfia!

- É… deve dar mesmo.

- Muito bom trabaio, mizinfia! Dá inté pra pensá naquelas férias… Se o Pai Guerrero quisé alguma coisa comigo, eu fecho a tenda uns três dia.

- Três???

- Ê Ê. Muito né? Só um dia procê. E assim fica aqui marcando as consulta.

Andross Editora Recebe Microcontos para Nova Antologia

Monday, April 13th, 2009

Seguinte, digníssimo pessoal que acessa ao dT. Vou abrir espaço nesse blog pra Andross divulgar sua antologia de microcontos, um estilo literário ainda pouco difundido e precisando de toda a força possível pra crescer.

Lembrando que já participei de uma das antologias da Andross, chamada Retratos Urbanos, e como vivência com essa editora, tenho que recomendá-la e divulgá-la por livre e espontânea vontade. Sou um escritor iniciante, e trabalhos como esses são bastante importantes a qualquer um que deseja ingressar no cenário literário tupiniquim. Parabéns à Andross e ao editor Edson Rossatto. (quem sabe eu mesmo não crio meu primeiro microconto pra ingressar nessa antologia… vou tentar ;-) ).

Vamos à divulgação da antologia Histórias Liliputianas!


ANDROSS EDITORA RECEBE MICROCONTOS PARA NOVA ANTOLOGIA

A Andross Editora está recebendo, até dia 31 de maio, microcontos de novos autores para a antologia Histórias Liliputianas – Antologia de Microcontos.
Microcontos são histórias de sentido completo com, no máximo, 600 caracteres incluindo os espaços, mas não o título. Veja dois exemplos:

DEVER CUMPRIDO! (Edson Rossatto)
Tomou o ônibus e sentou-se à janela. Ficou a observar as pessoas nas ruas daquela cidade americana. Chegou em casa, brincou com os filhos, jantou e foi ver tevê.
- Como foi seu dia?
Sorriu.
- Nenhuma novidade!
Voltou a assistir ao programa, sem nenhuma lembrança do cheiro de queimado insuportável da eletrocussão realizada por ele nos porões daquele presídio.

COMPROMISSO (Edson Rossatto)
Quadris em vai-e-vem, urros, suor, lençóis amarrotados. Aquela havia sido a melhor transa de ambos. Só não continuaram porque ele precisava rezar a missa das oito.

Autores com obras já publicadas também podem participar. O regulamento e as instruções para envio dos textos estão disponíveis no website da editora: www.andross.com.br. O lançamento de Histórias Liliputianas – Antologia de Microcontos está previsto para setembro.

SOBRE A ANDROSS:
Com cinco anos de mercado e 34 títulos publicados, a Andross Editora nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, cresceu e se manteve graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias.
Por este sistema, a editora já publicou mais de 790 autores, de 13 a 68 anos, do ensino médio ao doutorado, amadores e profissionais. Alguns dos que estrearam nas antologias da Andross hoje têm obras publicadas individualmente por outras editoras.

Um Robin Hood Pitoresco

Friday, March 6th, 2009

Vou comentar notícia, apesar de fazer bom tempo que não fazia isso por aqui, achei irresistível. Existem fatos inusitados acontecendo por todo o mundo. Coisas fora do normal (bem fora). Coisas que só podem ser ouvidas em papos loroteiros de primeira grandeza. Algo acima. Inimaginável.

Pois é. Pudera eu voltar a escrever diariamente sobre o assunto (ou assuntos). Diversão garantida que vou tentar transmitir a você, enrolado leitor.

Na Austrália, mais especificamente em Darwin, algo acima do estranho aconteceu. Um bar comum foi invadido por volta das cinco da manhã. O meliante, larápio e malfeitor, entrou, escolheu a bebida mais cara e tomou… tomou e tomou sem parar. Tomou até causar o prejuízo do equivalente a R$ 6 mil. Bastante né? Estranho né? Pois é. O cara esperou o bar fechar para que quase na manhã do dia seguinte invadisse e se acabasse de beber. Deu uma tijolada na janela, invadiu e ingeriu. Simples como pegar um ônibus.

Contudo, trata-se de um crime até certo ponto normal. Seria mais normal ainda se ele tivesse roubado dinheiro. Mas até onde eu contei, isso tudo me parece comum. É ou não é? Pois então, o que faz do acontecido um bom motivo pra eu vir aqui, escrever e publicar um texto sobre? Simples. Trata-se do pequeno detalhe. Reproduzindo novamente a história, o invasor deu a tijolada, invadiu, mas antes de começar a beber, ele tirou todas suas roupas e encheu a cara peladásso! Nu com a mão no bolso. Como veio ao mundo. Escolheu uma bebida bem cara e por fim, causou o belo prejuízo que causou.

Quer entender? Eu aconselho não tentar. Eu já até criei uma teoria pensando que ele esteve sem dinheiro no bar uma noite antes e ficou com muita vontade de tomar a tal bebida, mas como não tinha nada pra pagar, se revoltou e resolveu que voltaria lá pra ir à forra contra a sociedade capitalista que o oprime e impede de tomar uma bela birita de qualidade. Enfim, fiquei pensativo com a história de nosso protagonista, que agora com certeza está andando pelas ruas de Darwin provavelmente vestido e feliz da vida (bêbado ainda, creio eu).

Ah! Faltou comentar que a polícia ainda não o pegou. E querem saber? Sei lá se vai pegar, ou querer pegar. Esse homem é um herói! Ele fez o que muita gente gostaria de fazer vez em quando. Comer e beber de graça sem restrições nem preocupações. Boa Peladão! Continue balançando seu… ou melhor, atirando seu tijolo pelas janelas ricas alheias! Esse é ninguém menos do que o Robin Hood da manguaça!

Dica: Pedrão

Fonte: G1

Carnaval, Dureza e Ninguém é de Ninguém

Thursday, February 26th, 2009

É carnaval. O negócio é se divertir insanamente. Perder a linha. Viajar pras melhores partes do Brasil sob agradáveis 40ºC, comer do bom e do melhor nas melhores praias do mundo, ou mesmo curtir um “ninguém é de ninguém” atrás do trio elétrico em Salvador, folia com os blocos de Olinda, ver o tradicional carnaval carioca, ou mesmo pegar uma praiazinha onde acontece também o tal fenômeno do “ninguém é de ninguém”. É isso. Coisa do Brasil quer você e eu concorde ou não, isso é uma ambição do povo tupiniquim (nem todos, mas em geral é assim).

Contudo, nem sempre a grana dá. Você sabe bem como é… Vem chegando o carnaval e poucos têm um tostão no bolso pro almejado “ninguém é de ninguém”. Feriado em branco a vista. Joguinho de buraco com a família, a amiga da sua tia que sempre dá em cima de você e desfile das escolas de samba no plim-plim. Uma caixa de cerveja na geladeira e beba com moderação, mesmo porque se não moderar acaba logo, e no fim você vai acabar pegando a amiga da sua tia. É aí que a ginga e malandragem brasileira surgem, afinal, filar um churrasquinho ou algo que o valha é de praxe, né?

- Toninho? É o Jairo!

- Fala Jairo! Tranquilo?

- Até demais. To sem fazer nada aqui… não vai rolar nada na casa de alguém da galera?

- Pô cara. Não to sabendo… To aqui em Maresias.

- Ah! Vai se f…

O Jairo, nosso exemplo de hoje, não é de desistir fácil e começa a olhar possíveis vítimas em sua agenda do celular.

- Boa tarde. Posso falar com o Artur?

- Pode sim. Só um instante…

Agora vai! Pensou o Jairo, que já se animava quando…

- Alô?

- Artur? É o Jairão! Tá tranquilo, meu velho?

- Nem tanto. To na correria pra descer e encontrar o pessoal em Maresias.

Faro aguçado, Jairo sente o cheiro do “ninguém é de ninguém”.

- Pô Artur! Quem vai nessa?

- To eu, a Ana e o Gordo.

- Aí tá bonito!

- Por quê?

- Porque cabe mais um! Tem como? Me arrumo rapidinho…

- Claro que tem, Jairão… Só que nós estamos todos duros, e precisamos dividir a grana da gasolina, pedágio, e o rango. Mas fora isso, olha que moleza… O lugar tá garantido e na faixa!

- Tsc! Deixa pra lá. To muito duro mesmo.

- Então tá. Fica pra Páscoa.

- Que Páscoa? Que porcaria de Páscoa?! Carnaval sim que é feriado!

- Pois é… Ano que vem tem outro.

- Tá bom… Tá bom… Sabe se alguém vai ficar aqui?

- Só sei de você e do Zóio-torto. Agora eu vou porque os dois já tão no carro esperando… fui!

E Jairo se abateu. Sabe que o Zóio-torto é sempre duro igual a ele. Daquele mato não sai coelho, porém não custa tentar.

- Alô! Posso falar com o Zóio-torto?

- Não tem ninguém com esse nome. Tchau.

Zóio-torto… como é o nome dele mesmo? – Pensou nosso folião guerreiro atentando que chamou pelo apelido.

- Alô? Artur? Eu de novo. Como é o nome do Zóio-torto mesmo?

- Puts. Não sei mesmo… Deixa eu perguntar pro pessoal aqui.

- Rapidinho. Meus créditos tão acabando.

- Jeferson. O Zóio-torto chama Jeferson.

- Valeu!

Agora vai.

- Alô. Posso falar com o Jeferson?

- Agora sim. Só um instante.

- Alô?

- Zóio-torto! É o Jairo. Vamos fazer o que nesse carnaval? Heim?

- Pô cara. Você não foi pra Maresias também… Chega aqui que vai rolar um churras daqueles.

- Opá! To indo nesse momento.

- Só trás dez paus pra interar na carne e na cerveja, beleza?

- Cacete. Deizão??? Tá assando filé mignon aí, pô? Deixa quieto. To mais duro que pau de tarado.

- Mãe! Aquela amiga da tia Nana vem aí pra parceria no buraquinho? Eu to que to hoje…

- Vem sim. Mas se ela der em cima de você hoje, boto pra correr.

- Ah mãe… É carnaval. Ninguém é de ninguém.