Cartas ao Divino – A Crise Financeira (#005)
Saturday, November 22nd, 2008Por aqui vai tudo bem, ou não… Bom, você sabe.
Sabe, hoje vim clamar a respeito de minha ignorância. Pois é. Humildemente peço que ilumine minha ignorância com algum conhecimento que seja.
Qual das ignorâncias?
Não pega pesado, heim! Estou falando sobre essa tal crise financeira mundial. Pô Divino! Eu bem que tento entender, mas não dá. Leio, acompanho e no máximo eu consigo me achar mais burro do que antes. Essa coisa dos mercados financeiros em crise é muito complicada. Bolsas de valores em queda, dólar subindo rápido, pessoas se jogando das pontes… Ok. Essa última eu não vi e nem fiquei sabendo, mas é bacana pra dramatizar um pouco o assunto.
Afinal, porque os mercados se apavoram tanto. Isso não deveria ser bem mais simples como, se alguém tá sem dinheiro é porque tem alguém com muito? Pois eu vejo tudo com essa lente. É simples, ó: Como é possível todo mundo ficar sem dinheiro ao mesmo tempo? Então devo presumir que tem alguém queimando grana por aí, né? Cadê a bufunfa? Um mais um é igual a dois, né? Se João tinha três laranjas, vendeu duas pra Maria por um real cada, então ele ficou com dois reais a mais e a Maria ficou com dois a menos, mas com duas laranjas pra fazer um suco ou o que for… Tudo me parece mais simples do que realmente é.
Tendo em vista tudo isso, acho que sou meio ignorante ou sei lá. Tenho um pouco de medo quanto à coisa toda e nem vem com a ladainha de basta fazer o bem que tudo vai dar certo no final. Pode parar! A vida que eu vivo é a daqui da terra. Tem gente ruim pra todo lado querendo pisar na cabeça alheia. Tem dono de grandes empresas anunciando pra quem quiser ouvir que durante a crise, funcionário dele não vai ter férias e nem aumento de salário em hipótese alguma. Um babaca! E o lado humano da coisa toda? E se o funcionário merecer férias e aumentos? Não vai dar? Não. Não vai. Ele e muitos outros preferem ver seres humanos se acabando em dificuldades do que parar um pouquinho de ostentar suas riquezas por aí…
E com isso o senhor vai me dizer que devo chamar um desgraçado desses de irmão? Faça-me o favor! Aqui na terra fica cada vez mais evidente que é cada um por si. Quem puxa mais o saco, tem mais, e quem trabalha mais, tem mais trabalho. Se o senhor não vê isso diante de toda sua onisciência, deve ter estado nos últimos dez milhões de anos em férias ou algo parecido.
Desculpe mas, foi o senhor mesmo quem criou a espécie humana? Errou e errou feio se foi. O povo aqui não se respeita e está esperando a morte chegar matando uns aos outros. É assim mesmo. E alguém vai me dizer que o senhor é perfeito? É nada! Quem cria algo como os seres humanos não pode ser perfeito. Ta aí um trabalho que eu não assinaria: a criação do ser humano.
Com as devidas desculpas pela revolta, me despeço do senhor. Porém, se não entender meus motivos, duvidarei de sua onisciência também.
Até!











A escultura “Primeiro os Pés” (“Zuerst die Fusse“), do artista alemão 

