Num Aeroporto do Brasil
Wednesday, April 29th, 2009Alguém já parou dentro de um aeroporto e analisou as situações apetitosas para que histórias sejam criadas? (rodoviária funciona bem também).
Apetitosas. E afinal, o que podemos definir como “apetitoso”? Acho que tudo. Desde o cômico até o dramático. Tudo pode ser engraçado, emocionante e intrigante. Prato cheio e apetitoso.
No aeroporto, basta sentar nas esperas de um desembarque e observar. Diferentes culturas e pessoas desfilam à sua frente. Gente loira de doer se comunicando em tons que parecem discussões ríspidas, mas não, é só a língua delas mesmo (pequeno parêntese para dizer que mesmo reconhecendo vagamente a origem do tom ali falado, se alguém se dirigisse a mim daquela forma, ou eu temeria, ou me ofenderia). Ao mesmo tempo, tinha gente negra passeando, sorrindo e olhando pra tudo. Coloridos demais, são danados de simpáticos os africanos. E os japoneses fazendo referencias aos que aguardavam seu desembarque? Igualzinho aos filmes. Respeitoso como é passado nas telinhas de nossas casas.
Podia ser visto, em meio a tudo, gente mais séria e menos calorosa que recepcionava o viajante com um ortodoxo aperto de mãos. Jeito frio de se receber alguém, né? Pouco brasileiro. Contudo, e por falar no jeito brasileiro de se receber alguém que faz falta, acabei por conferir muitas corridas que terminavam em abraços sufocando de saudade, choros misturados aos sorrisos em doses perfeitas… coisa boa de se ver e fazer.
Aproveitando o assunto, uma família que estava ao meu lado dava a entender que aguardava (ansiosamente) ao filho primogênito voltar de uma longa jornada européia. Inquietação contagiante, admito. E sim, quem esteve próximo era levado pelo sentimento de saudade e ansiedade deles. Senti saudades também. De Quem? Nem eles sabiam direito. Como será que ele está? Cabeludo? Careca? Barba assim ou assado? Tudo era surpresa. Tudo muito bom e haja coração! (Já diria o profeta).
Em um determinado momento os pais do filho que chegava disseram que iriam assistir ao avião que pousaria nos próximos minutos. Quase fui junto e quase chorei junto quando eles retornaram de olhos vermelhos, óculos embaçados e sorrisos que pra ser compatível com os rostos deles precisariam ser ao menos duas vezes maiores, pois os deles já eram insuficientes. Contaram sobre o que viram aos que ficaram ali esperando e a mim indiretamente. Eles viram seu filhote. Bom demais. Quis ter um filho viajando só pra sentir o que sentiam naquele momento do reencontro. Quis até iniciar algum contato com eles, mas quem sou eu pra colocar outra coisa na cabeça daquela família se não a imagem daquele que chegava. Ele chegou. Eles correram. Arrepiou, amigo leitor. Arrepiou demais. Valeu o passeio.
Sei que preciso ir mais ao aeroporto ou algo que se assemelhe a isso. Não falta assunto e coisa pra ver, assim como não falta alegria na mesa do brasileiro, mas quando falta alguém na mesa pra partilhar dessa alegria, o brasileiro perde um pouco da fome. A alegria dá lugar à saudade também. Saudade essa que quando acaba, volta a dar lugar à alegria. Coisa boa em ser de um povo que recebe tão bem quem chega. Coisa boa em pensar que aos poucos, esse sorriso daqui contagia os rostos de lá, os tornando um pouco daqui também.
O que eu fazia no aeroporto? Ou fui testemunhar histórias como essa, ou fui dar meu abraço tupiniquim em quem chegava. Não importa muito, de fato.











